De volta em Curaçao: construindo o núcleo digital do Caribe
13 de outubro de 2026

Quando o Grupo de Operadores de Rede do Caribe (CaribNOG) se reuniu em Willemstad, Curaçao, de 7 a 9 de outubro de 2026, o LACNIC estava em terra conhecida. Curaçao faz parte da área de cobertura do LACNIC, e a ilha possui uma longa trajetória de colaboração com ambas as organizações.
Sob o tema “Preparados para a resiliência: fortalecer o núcleo digital do Caribe”, o CaribNOG 32 reuniu uma variedade de partes interessadas dos setores público e privado, incluindo operadores de rede, reguladores da indústria, agências diplomáticas, gestores de TI e técnicos de bancos de dados, proporcionando ao LACNIC uma valiosa oportunidade de trabalhar diretamente com uma ampla representação do ecossistema que mantém as redes do Caribe conectadas e seguras.
No dia de abertura, Alejandro Acosta apresentou diversos aspectos dos serviços do LACNIC, como a adoção do IPv6 no Caribe, as solicitações do IPv4 em lista de espera, a incorporação do ASPA no MiLACNIC, atualizações dos cursos no Campus do LACNIC, e um convite para participar do LACNIC 46 LACNOG 2026 em Mendoza, Argentina, de 19 a 22 de outubro de 2026. Como sempre, a apresentação foi realizada de forma colaborativa, em conjunto com representantes do ARIN e da ICANN, como parte do relatório do iOrg.
No último dia, Acosta e Nicolás Antoniello, gerente de Engajamento Técnico para a América Latina e o Caribe na ICANN, conduziram os participantes desde os conceitos teóricos até a configuração de roteadores, construindo sobre a base de uma introdução apresentada previamente por Mark Kosters, diretor de Tecnologia (CTO) do ARIN. Alejandro adaptou o conteúdo aos desafios enfrentados pelas redes do Caribe: cabos submarinos vulneráveis, furacões, atividade sísmica e vulcânica, e o custo econômico de cada interrupção do serviço. Suas recomendações incluíam:
(Acesso livre, não requer assinatura)
- Fibra em primeiro lugar. Os provedores de serviços de Internet (ISP) do Caribe deveriam se conectar a pelo menos um cabo submarino e, de preferência, a mais de um, e ter um link via satélite de reserva.
- Os satélites como respaldo. Os satélites em órbita terrestre baixa (LEO) reduzem a latência para 25 a 40 milissegundos, em comparação com os 500 a 700 milissegundos dos satélites geoestacionários. No entanto, um único link LEO não consegue suportar o tráfego de muitos ISP.
- Multihoming com fibra e LEO. As operadoras deveriam receber a tabela de roteamento completa por meio da fibra para engenharia de tráfego e aceitar apenas uma rota padrão via LEO, de modo que o satélite transporte tráfego somente quando o cabo falhar.
- A validação de origem de rotas mediante o RPKI permite que um roteador verifique cada prefixo recebido em relação aos dados do registro, e descarte anúncios não válidos.
- As funções do BGP aplicam automaticamente a filtragem de vazamento de rotas (route-leak filtering) assim que cada lado se declara provedor ou cliente.
- O BFD reduz o tempo de detecção de falhas de cerca de 90 segundos para milissegundos, e muitos provedores o habilitam mediante solicitação, sem custo adicional.
- Path MTU Discovery (PMTUD) depende de os operadores permitirem que o ICMPv6 passe por seus filtros, um problema apontado como comum na região.

À tarde, os participantes colocaram em prática os conceitos aprendidos durante a manhã através de exercícios práticos, incluídos laboratórios de configuração de resolvedores DNS com validação DNSSEC e validação de origem de rotas via RPKI.
Por trás de tudo isso, havia uma mensagem familiar do LACNIC.
“Obtenha seus próprios endereços IP e seu próprio ASN”, disse Acosta. Estes elementos possibilitam o multihoming e o peering privado, além de dispensarem a necessidade de renumeração ao trocar de provedor. Eles também são o que os provedores de conteúdo verificam ao decidir se devem instalar um cache em sua rede.