Três chaves para uma Internet mais resiliente

18/02/2026

Três chaves para uma Internet mais resiliente
Desenhado por Freepik

Por Graciela Martínez, Líder do CSIRT do LACNIC | Membro da Diretoria de FIRST

Em segurança cibernética, falamos frequentemente sobre ameaças, vulnerabilidades e tecnologia. Mas quando acontece um incidente real, o que mais importa não são as ferramentas que temos, mas sim como nos coordenamos. Com mais de 23 anos de experiência na área de segurança cibernética, e hoje desde o CSIRT do LACNIC e a Diretoria de FIRST, sempre retorno a três ideias que sustentam a resiliência da Internet: confiança, comunidade e capacitação.

Uma perspectiva global: pensar na Internet como um ecossistema único.

A Internet é global por natureza, e os incidentes também são. Uma campanha maliciosa, uma vulnerabilidade explorada ou uma falha na cadeia de suprimentos pode afetar vários países e setores em um curto período de tempo. Por isso, mesmo quando trabalhamos a partir de realidades locais ou regionais, precisamos manter uma perspectiva global: compreender as tendências, adotar práticas comuns e colaborar além das nossas fronteiras.

Pensar globalmente não nos afasta da região; pelo contrário, é fortalecida com mais contexto, coordenação e aprendizado.

Confiança: a infraestrutura invisível da resposta a incidentes

Há um pilar que raramente aparece nas apresentações, mas define a eficácia de uma resposta: a confiança. A coordenação com outras equipes, o pedido de apoio, o compartilhamento de informações confidenciais e a tomada de decisões sob pressão só funcionam quando existem acordos claros e laços construídos ao longo do tempo.

E aqui está um ponto crucial: a presencialidade faz toda a diferença. Encontros presenciais ajudam a transformar contatos em redes reais. Assim, quando ocorre um incidente, essa confiança prévia reduz o tempo de resposta e melhora a coordenação.

FIRST: comunidade global e espaços para aprofundar

FIRST tem sido, durante anos, uma referência para equipes de resposta no mundo todo, e para nós também. Seu maior valor reside no que ela possibilita: uma comunidade global que compartilha experiências, práticas e estruturas.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Dentro desse contexto, destaco os SIG SIG (Special Interest Groups): grupos de profissionais que se organizam por tema para trocar ideias, discutir desafios específicos e produzir conhecimento aplicável. Em um ambiente em constante mudança, esses espaços sustentam uma conversa técnica contínua e aceleram o aprendizado coletivo.

Aproveito esta oportunidade para convidá-los a participar e saber mais sobre como fazer parte da FIRST: https://www.first.org/membership/. Fazer parte da comunidade permite conhecer outras equipes, trocar experiências e construir relacionamentos que, quando é necessária uma coordenação real, sempre acabam fazendo a diferença.

Capacity building: desenvolver capacidades é investir em resiliência

Se há alguma coisa que sustenta o resto, é o desenvolvimento de capacidades. Não se trata apenas de capacitar pessoas; trata-se de fortalecer equipes, processos, coordenação, cultura e melhoria contínua. É passar de reagir perante incidentes, para estar preparado para responder adequadamente.

As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.

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