Por Jorge Cano, Arquiteto de Software Sênior do LACNIC
O IETF, ou Internet Engineering Task Force, é uma comunidade global que reúne pessoas do mundo todo para criar os padrões que fazem possível o funcionamento da Internet. A sua tarefa é organizada em grupos de trabalho, cada um focado em um tópico específico.
Nesses grupos são propostas soluções para problemas técnicos específicos. Alguém pode chegar com uma proposta ou a necessidade de resolver um problema: se apresenta um rascunho e, se o grupo considerar pertinente, começa a trabalhar. O objetivo não é criar um produto, mas definir um padrão. Depois, qualquer pessoa, organização ou empresa pode implementá-lo. O importante é que, por ser um padrão aberto, funciona da mesma forma, sem importar quem o implementar.
O IETF é organizado por áreas (aplicações, segurança, transporte, etc.) que reúnem vários grupos de trabalho. Caso surja um problema que não se enquadre em nenhum dos existentes, há sempre a possibilidade de criar um grupo novo.
(Acesso livre, não requer assinatura)
Participar do IETF
O trabalho no IETF é totalmente livre e aberto. A maior parte das discussões acontece nas listas de correio, com um nível técnico alto, atraindo pessoas com ampla experiência em áreas específicas da Internet. Nos últimos anos, foi feito um esforço para diversificar a participação, buscando incluir pessoas de todas as regiões, não apenas da Europa e dos Estados Unidos.
Minhas primeiras experiências no IETF datam da 61ª reunião, e hoje já vamos pelo IETF 123. Na minha experiência, no início é um grande desafio: você chega com a intenção de acompanhar todas as discussões, mas logo percebe que é melhor focar-se em apenas um grupo e depois adicionar outros. As pessoas que participam costumam ter muita experiência, pelo que quebrar a barreira inicial para começar a contribuir nem sempre é fácil. Eu comecei a frequentar para ouvir e aprender; com o tempo, passei a intervir e propor soluções que hoje fazem parte dos padrões.
Ser co-chair no IETF
O IETF opera em pequenas unidades chamadas grupos de trabalho, cada uma com um ou mais chairs. Ser chair significa coordenar discussões, gerenciar cronogramas e, acima de tudo, identificar quando há consenso. No IETF não se trata apenas de votar; queremos que o maior número de pessoas concorde e garanta que nenhuma objeção técnica fique sem discussão.
Participar do IETF
O trabalho no IETF é totalmente livre e aberto. A maior parte das discussões acontece nas listas de correio, com um nível técnico alto, atraindo pessoas com ampla experiência em áreas específicas da Internet. Nos últimos anos, foi feito um esforço para diversificar a participação, buscando incluir pessoas de todas as regiões, não apenas da Europa e dos Estados Unidos.
Minhas primeiras experiências no IETF datam da 61ª reunião, e hoje já vamos pelo IETF 123. Na minha experiência, no início é um grande desafio: você chega com a intenção de acompanhar todas as discussões, mas logo percebe que é melhor focar-se em apenas um grupo e depois adicionar outros. As pessoas que participam costumam ter muita experiência, pelo que quebrar a barreira inicial para começar a contribuir nem sempre é fácil. Eu comecei a frequentar para ouvir e aprender; com o tempo, passei a intervir e propor soluções que hoje fazem parte dos padrões.
Ser co-chair no IETF
O IETF opera em pequenas unidades chamadas grupos de trabalho, cada uma com um ou mais chairs. Ser chair significa coordenar discussões, gerenciar cronogramas e, acima de tudo, identificar quando há consenso. No IETF não se trata apenas de votar; queremos que o maior número de pessoas concorde e garanta que nenhuma objeção técnica fique sem discussão.
No meu caso, hoje sou co-chair do grupo REGEXT, que trabalha em extensões de dois protocolos-chave:
O EPP (Extensible Provisioning Protocol), usado principalmente para registrar objetos em registros (hoje especialmente em domínios).
O RDAP (Registration Data Access Protocol), que substitui o Whois, oferecendo respostas mais seguras, padronizadas e uniformes.
Em REGEXT, desenvolvemos extensões e melhorias para esses protocolos, além de trabalhar em novos padrões (atualmente entre cinco e sete).
Nos meus começos, eu participei de outros grupos como DNSOPs (operações de DNS), SIDR ops (roteamento e RPKI) e DELEG (uma nova forma de delegação de zonas de DNS). Inclusive há um grupo novo sobre como a Internet irá funcionar no espaço, pensando na conectividade entre estações espaciais, satélites e a Terra.
O que eu valorizo do IETF
Ao longo dos anos, o IETF mudou muito. Hoje a comunidade está mais aberta e amável com os novos participantes, com um esforço claro para tornar o processo menos intimidador e mais inclusivo.
Para mim, o valor central do IETF é seu espírito colaborativo: a possibilidade de que pessoas do mundo todo, sem importar onde estejam ou para quem trabalhem, possam definir juntas como a Internet funciona e garantir que essas decisões sejam acessíveis a qualquer um que queira implementá-las.
Se quiser saber mais sobre esta matéria, não perca o painel “Tendências técnicas e o papel do IETF” que será realizado no âmbito do LACNIC 44 – LACNOG 2025, na terça-feira, 7 de outubro. Nesse espaço serão abordadas questões-chave como roteamento, segurança, IPv6 e eficiência nas redes, bem como compartilhadas experiências concretas de participação no IETF. Assim mesmo será discutido como a comunidade regional pode se envolver ativamente na construção de padrões globais. Inscreva-se aqui
As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.