Além da validação de origem: quatro classes de ataques de roteamento que ninguém está validando

28 de julho de 2026

Além da validação de origem: quatro classes de ataques de roteamento que ninguém está validando
Imagem assistida/criada por IA

Por Flavio Luciani, CTO da Namex 

O RPKI fez progressos reais no combate ao sequestro de prefixos. Mas quando você compara todas as classes conhecidas de ataques BGP contra as defesas existentes, quatro delas acabam ficando completamente fora da validação criptográfica e são tratadas com filtros locais, limiares estáticos e respostas reativas.


Dez segundos em maio

Em 20 de maio de 2025, um AS na região da Ásia-Pacífico enviou uma BGP UPDATE contendo um atributo Prefix-SID corrompido (opcional, transitivo, código de atributo 40). O que aconteceu depois não foi um sequestro nem um vazamento (route leak).

Cisco IOS-XR e Nokia SR-OS fizeram o que a RFC 7606 determina: descartaram o atributo malformado e seguiram em frente. O sistema operacional JunOS da Juniper repassou a mensagem intacta. Os roteadores Arista que o receberam responderam reiniciando suas sessões BGP. Os servidores de roteamento em diversos IXP retransmitiram o atributo sem filtrá-lo. Em dez segundos, o sistema de roteamento global registrou mais de 150.000 atualizações, e houve flapping de rotas na Starlink, Disney, Zscaler e ByteDance, entre outras. A Arista alterou o comportamento no EOS 4.28.11 e versões posteriores.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Em nenhum ponto da cadeia foi violada alguma das validações do RPKI. Peça a um operador para classificar o evento e ele vai dar de ombros: não é um sequestro, não é um vazamento, é “alguma coisa relacionada a um atributo”. Isso reflete a pouca atenção que esse tipo de problema tem recebido.

Essa lacuna foi um dos pontos de partida de uma pesquisa que acabamos de publicar no IEEE Communications Surveys & Tutorials, que revisita as questões em aberto levantadas na pesquisa de segurança de roteamento de Huston, Rossi e Armitage de 2011 e questiona o que realmente mudou em quinze anos. Este artigo trata da parte da resposta que nos surpreendeu.

Quatro macrocategorias

Finalmente, chegamos a uma taxonomia de quatro macrocategorias e oito microcategorias. A contribuição não é a introdução de novos conceitos de ataque —a maioria dessas distinções já existe nas RFC e na prática operacional— mas sim uma estrutura única com nomenclatura consistente, de forma que cada classe possa ser mapeada sistematicamente às defesas que a combatem.

As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.

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