BGP da teoria à prática

28 de novembro de 2023

BGP da teoria à prática

Por Flavio Luciani, Antonio Prado e Tiziano Tofoni

Em 2011, Reiss Romoli publicou a primeira edição do livro “BGP: From Theory to Practice”, escrito por Tiziano Tofoni. Muitos anos se passaram desde então, e o autor da primeira edição considerou necessário que ela passasse por uma extensa revisão, uma vez que, nesse ínterim, o BGP – embora bastante consolidado – passou por sua própria evolução. Novas técnicas melhoraram significativamente seus aspectos de segurança e velocidade de convergência: os dois calcanhares de Aquiles das primeiras versões do BGP.

Apesar das nossas diferentes trajetórias profissionais, todos temos um denominador comum no BGP. De acordo com a nossa ‘visão’, o BGP é o protocolo padrão sem o qual a Internet não seria possível. E isso foi comprovado ao longo dos anos, já que o BGP ganhou tal consenso que se tornou o protocolo mais importante para as redes IP, a verdadeira estrutura de suporte do “ecossistema da Internet”.

O BGP é baseado em conceitos simples, mas eficazes, que permitem um uso extremamente flexível deste protocolo. Embora tenha nascido e sido projetado como um protocolo de roteamento entre domínios, hoje o BGP também é amplamente empregado em outras áreas, como:

(Acesso livre, não requer assinatura)

  • Nas redes dos provedores de serviços públicos modernos, em que desempenha um papel fundamental na arquitetura geral de roteamento, já que, graças à sua comprovada escalabilidade, revelou-se também como uma ferramenta muito eficiente para distribuir informações de roteamento externo dentro da rede;
  • Nos planos de controle dos serviços MPLS;
  • Para uma migração “sem dor” do IPv4 para o IPv6, sem grandes impactos no backbone dos provedores de serviços;
  • Como protocolo de acesso das redes privadas às redes dos provedores de serviços;
  • Como IGP nos grandes bancos de dados, onde atua como protocolo de roteamento na rede underlay, e como protocolo de transferência para diversos tipos de informações na rede overlay.

Em vez de um protocolo de roteamento real no sentido tradicional, o BGP é um protocolo de aplicação de políticas de roteamento. De fato, na sua definição, os criadores do protocolo não se focaram em alguns dos aspectos típicos dos protocolos de roteamento padrão, como a velocidade de convergência e a segurança. Em vez disso, eles se concentraram em tornar escalável a troca de grandes quantidades de prefixos IP. E certamente conseguiram fazê-lo, se considerarmos que hoje, nos roteadores usados pelas grandes redes IP, o BGP pode gerenciar a troca de informações de roteamento relacionadas a quase um milhão de prefixos IP.

Tudo isto nos tem levado a acompanhar de perto a evolução do BGP e a difundir o seu conhecimento para um vasto público de especialistas. Foi assim que surgiu a ideia de escrever uma segunda edição do livro original. Seguindo o espírito da primeira edição, esta edição também perseguiu o objetivo de combinar a teoria e a prática, e tentou não ser apenas uma apresentação (discutível) da norma. É por isso que, além de explicar em detalhe e com muitos exemplos o funcionamento do protocolo e o seu papel nas redes IP e em todo o ecossistema da Internet, o livro também inclui muitos exemplos de aplicação prática, resultantes de muitos anos de experiência.

Da forma como foi concebido, o livro requer noções sólidas sobre a arquitetura TCP/IP e, em particular, sobre os fundamentos do roteamento IP. Além disso, por abranger diversos aspectos de configuração, tanto em ambientes Cisco (IOS/IOS-XE/IOS-XR) quanto em ambientes Juniper (JUNOS), também requer um conhecimento básico destes sistemas operacionais. No entanto, acreditamos firmemente que ter conhecimento sobre um sistema operacional específico não é tão importante, uma vez adquirido o conceito básico por trás do protocolo e seus serviços. Pular de uma tecnologia para outra é apenas uma questão de aprender os comandos básicos e entender como o protocolo foi implementado por um desenvolvedor específico, sendo este último aspecto crucial em cenários de máquina TCL.

As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.

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