Redes autônomas: rumo a um novo modelo operacional

9 de setembro de 2026

Redes autônomas: rumo a um novo modelo operacional
Imagem assistida/criada por IA

Por Hernán Arcidiacono, Chief Technology Office da Iplan Argentina e membro do Comitê de Revisão da IANA

Quando me perguntam o que é uma rede autônoma e em que ela se diferencia de uma rede tradicional automatizada, gosto de partir de uma definição rápida: a automação se refere à capacidade de executar, enquanto a autonomia se refere à capacidade de decidir.

Uma rede automática simplesmente segue regras fixas e reage a eventos predefinidos. Já uma rede autônoma possui consciência do seu próprio estado, de seus objetivos (intenções) e de seu ambiente.

Os sistemas automatizados, ao trabalharem com regras fixas, restringem o que efetivamente podem fazer, e hoje as redes têm uma complexidade tal que é difícil abordar sua gestão a partir desse ângulo. Por isso, surgem modelos autônomos capazes de se autorregular sem depender de regras e parâmetros estáticos predefinidos e difíceis de gerenciar pelos seres humanos.

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Por que agora?

A complexidade é um dos aspectos centrais que explicam por que o conceito de redes autônomas está ganhando tanto impulso neste momento entre os grandes operadores. Elas ajudam a viabilizar as complexidades técnicas e operacionais do 5G e da IoT; de outra forma, aspectos dessas tecnologias não seriam possíveis de gerenciar. Por outro lado, de modo geral, a indústria precisa crescer incorporando novos serviços e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência operacional, e o framework de redes autônomas contempla ambos os objetivos simultaneamente.

Quem se beneficia?


Visto de uma perspectiva mais ampla, o ecossistema de usuários, operadoras e novos parceiros. Indo mais ao concreto, a princípio poderíamos pensar que os beneficiários são as grandes operadoras. Mas, na minha opinião, não existe tal exclusividade. Os ISPs médios e pequenos devem considerar os potenciais benefícios de se aprofundar no tema, e também os riscos de não fazê-lo. Abordá-lo no início parece difícil, mas, na escala adequada e atendendo a necessidades genuínas, acredito que é fundamental começar. Quando as grandes operadoras tiverem recursos adquiridos por meio de redes autônomas, contarão com uma vantagem competitiva não apenas em custos, mas também na experiência oferecida aos seus usuários, e isso deixará as médios e pequenas operadoras em condições desiguais para competir.

A partir da gestão da infraestrutura

A partir da perspectiva da gestão e operação da infraestrutura, devo dizer, em primeiro lugar, que o conceito de redes autônomas do TM Forum, a meu ver, deveria ser chamado de “Telco Autônoma”, porque o termo “redes” parece restringir o framework apenas aos aspectos técnicos, quando, na realidade, ele se aplica a todos os níveis da empresa.

As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.

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