Lixo eletrônico vira computadores úteis

18/12/2023

Este projeto recebeu subsídios do Programa FRIDA, edição 2023

O que acontece com os milhares de equipamentos tecnológicos sem utilidade? Aonde vão parar os resíduos eletrônicos? Dá para reutilizar os computadores e os aparelhos eletroeletrônicos? Que fim levam? Algumas das respostas para estas perguntas podem ser achadas na experiência de Nodo TAU, na criação e acompanhamento de um empreendimento social que combina a gestão ambiental de lixo eletrônico, a geração de emprego juvenil e a reutilização de computadores e notebooks em comunidades educacionais.

Desde seu começo, em 1985, Noto TAU recupera equipamentos descartados por empresas ou pessoas particulares para serem recondicionados e utilizados em centros comunitários, bairros e escolas. Começaram a receber grandes quantidades de doações de equipamentos, das quais pouco dava para recuperar. Foi assim que começou a problemática dos resíduos eletrônicos.

Foi então que no ano 2019 decidiram impulsionar uma unidade produtiva destinada à gestão ambientalmente correta destes resíduos, sendo inclusive, um espaço de capacitação e inserção social de jovens de bairros populares de Rosário.

Nodo TAU acaba de receber verbas do programa FRIDA do LACNIC, com as quais poderá estender suas propostas de inclusão sociotrabalhista e digital. O projeto conta com uma planta localizada em Rosário, Argentina, equipada com tecnologia especializada para o tratamento dos resíduos eletrônicos, permitindo sua traçabilidade até sua disposição final.

Nodo TAU é impulsionada por profissionais informáticos, educadores e militantes sociais dedicados a facilitar o acesso a novas tecnologias de organizações comunitárias, educativas ou de bairros, ao mesmo tempo que promove o cuidado do ambiente, dos direitos das mulheres, da infância e da defesa dos direitos humanos e sociais

Os eixos. María Constanza Gómez, tesoureira da Cooperativa TAU Limitada, hoje a cargo da gestão da planta, apontou os três eixos do projeto: a gestão ambientalmente correta dos resíduos tecnológicos, a promoção da geração de emprego juvenil e a reutilização de equipamentos com o intuito de obter uma segunda vida útil.

Sobre o primeiro ponto, Gómez sinalizou que seus processos recuperam matérias primas (plásticos, PVC, PC, metais, vidro, etc.), para serem retornadas aos circuitos produtivos.

Os equipamentos que não possuem uma segunda vida útil são encaminhados para a área de desmontagem, onde são separados por partes (no suposto de que possam servir como peças). São recuperados também materiais para matéria-prima e o que não der para recuperar é destinado a um descarte correto.

Gómez destaca a importância de conscientizar as pessoas e as organizações para que esses resíduos não acabem na lixeira, em razão de sua periculosidade para o meio ambiente, bem como por sua potência na reutilização.

Vida útil. Elías Rodríguez, é um dos jovens que começou sua experiência nos primórdios da Planta, hoje é o presidente da Cooperativa TAU, dedicando boa parte de seu trabalho a impulsionar o trabalho juvenil e à reciclagem dos equipamentos para sua reutilização.

Comenta Elías que na área de recondicionamento trabalha-se com equipamentos que podem ter uma segunda vida útil. “Em primeiro lugar o equipamento é etiquetado assim que recebido, com o intuito de obter a traçabilidade de cada um desses equipamentos. A seguir, o equipamento é analisado, posto em um banco de trabalho e acondicionado em lotes de 10 CPU. A equipe de conserto dos equipamentos observa o que está faltando em cada um, se precisam de memória RAM, de disco, de fonte, etc. e vão recondicionando-os. De cada 10 computadores recebidos dá para montar 5, que talvez funcionem em perfeitas condições. Antes do ok final, o equipamento é testado de forma geral ao máximo, a fim de que o computador saia em ótimas condições”.

Depois de pronto, o equipamento é encaminhado para venda, doação e comunidades digitais. E aí entra em jogo o terceiro pilar do empreendimento: facilitar o acesso a tecnologias da informação e a organizações sociais locais, assim como oferecer treinamento em ferramentas tecnológicas.

Nesse sentido, Nodo Tau já equipou 64 comunidades digitais em diferentes bairros de Rosário: trata-se de salas com quatro computadores e uma noteboock, todos provenientes de reciclagem. Além disso, o projeto é apoiado com o treinamento dos jovens.

Os fundos do FRIDA recebidos pela Planta foram utilizados no desenvolvimento de um sistema de gestão para aprimoramento de todos os mecanismos internos de recepção, tratamento e derivação dos equipamentos, bem como para completar aspectos técnicos de segurança da planta e para capacitações internas da equipe de trabalho.

No seu breve histórico, Nodo TAU já tratou mais de 100 toneladas de lixo eletrônico, cerca de 700 equipamentos recuperados para uma segunda vida útil e atingiu 64 espaços comunitários com computadores recuperados na planta.

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