Prêmios FRIDA 2017: Coding Rights, impulsionando o ciberfeminismo

31 de outubro de 2017

Prêmios FRIDA 2017: Coding Rights, impulsionando o ciberfeminismo

Na Internet são reproduzidas as mesmas desigualdades de gênero que na vida off-line, segundo afirma um grupo de ativistas que se uniram para promover uma organização contra as desigualdades de poder nos ambientes digitais. Assim surgiu Coding Rights em 2015 no Brasil (www.codingrights.org). Trata-se de um projeto fundado por Joana Varon, com sede no Rio de Janeiro, mas que trabalha globalmente promovendo um uso crítico das tecnologias digitais que contemple a perspectiva dos usuários, especificamente mulheres e indivíduos LGBTTQI.

Coding Rights, vencedora do Prêmio FRIDA para Mulheres em Tecnologia (http://programafrida.net/pt-br/archivos/project/coding-rights-premio-mulheres-na-tecnologia ), foi homenageada pelo júri por seus esforços notáveis para integrar uma perspectiva de gênero no debate sobre direitos digitais.

Danae Tapia, uma das promotoras da Coding Rigths, garantiu que este projeto procura banir “a presença intacta nos ambientes da Internet” das sociedades patriarcais e fazer valer o direito de todas as pessoas, especialmente das mulheres e indivíduos LGBTTQI.

Por que vocês acham que um grupo de ativistas deve promover uma proposta dessa natureza no mundo digital?

(Acesso livre, não requer assinatura)

Consideramos que o machismo e as práticas patriarcais do mundo “off-line” encontram, em muitas ocasiões, uma correlação nos ambientes virtuais. Querem apresentar-nos uma Internet na qual somos supostamente todos iguais, mas os desequilíbrios de poder na rede são evidentes. Isso pode ser visto em exemplos com os quais trabalhamos como a violência on-line contra as mulheres ou a escassa presença das mulheres no desenvolvimento de serviços da Internet e na elaboração de políticas públicas.

Como vocês acreditam que uma perspectiva de gênero deve ser integrada em torno dos direitos digitais?

Deve ser uma visão interseccional, que é o que estamos promovendo desde Coding Rights: um ciberfeminismo com um forte componente de raça e classe. Muitas vezes nos deparamos com mistificações do gênero em que, através de cotas ou políticas mal formuladas, foi facilitada uma sub-representação de mulheres de regiões do sul global. Acreditamos que as iniciativas cibernéticas feministas atuais mais interessantes são impulsionadas por mulheres que não são do primeiro mundo, perspectivas que questionam os pressupostos sobre os corpos e identidades, sobre o discurso científico oficial e sobre a urgência de descolonizar a tecnologia. Esta é a perspectiva que deve primar em um ambiente digital justo que considere de modo consciente as diferenças de poder.

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