Os desafios legislativos de uma Internet aberta na Colômbia na perspectiva de um Policy Shaper

21 de maio de 2024

Os desafios legislativos de uma Internet aberta na Colômbia na perspectiva de um Policy Shaper
Desenhado por Freepik

O advogado colombiano German López Ardila é um dos participantes de destaque nos programas que o LACNIC oferece para unir a comunidade técnica e a Governança da Internet: o programa Líderes e posteriormente Policy Shapers.

Sua pesquisa “Um por todos e todos por um: desafios legislativos à Internet aberta” realizada no âmbito do programa Líderes procurou analisar os projetos de lei apresentados nos últimos anos no Congresso da Colômbia para estudar os diferentes tipos de riscos na Internet aberta que poderiam ser acarretados por tais projetos. A este respeito, muitos deles continham obrigações de censura injustificadamente severas ou estabeleciam obrigações que não são técnicas ou legalmente realizáveis.

Com base nesta tipologia, López Ardilla desenvolveu um documento dirigido aos legisladores a fim de explicar e conscientizar sobre elementos-chave do funcionamento da Internet e de sua governança, além de tornar mais técnico e ilustrado o debate legislativo sobre a Internet no país. No âmbito de Policy Shapers teve a oportunidade de aprofundar e dar mais visibilidade aos resultados da sua pesquisa.

Qual foi a sua experiência com Líderes?

Eu esteve envolvido no ecossistema da Internet da Colômbia há vários anos e talvez uma das figuras mais interessantes do ecossistema no país seja Julián Casasbuenas, meu mentor durante o programa. Eu conheci ele no âmbito da mesa redonda colombiana sobre Governança da Internet e foi ele quem me ajudou a encontrar o espaço e descobrir a importância que tinha na região. Nessa altura (2022) eu estava analisando como funcionavam no nível legislativo os projetos de lei apresentados nos últimos anos com algum impacto na Internet, em particular o relacionado com a gestão de bloqueio de conteúdo. Durante o período de mentoria tivemos a oportunidade de construir uma relação muito mais próxima com Julián.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Como o seu trabalho contribuiu para aprofundar a discussão sobre a Internet e os desafios legislativos na Colômbia?

O que descobri nessa análise é que havia diferentes motivos para o bloqueio, como motivos relacionados à defesa do bom nome, à proteção de crianças e adolescentes, outros relacionados à proteção de direitos autorais, etc. O desafio foi converter essa análise em um documento bem mais curto usando a metodologia Legal Design com o objetivo de que os parlamentares soubessem sobre o que estávamos falando quando nos referíamos à “Governança da Internet”, que são as múltiplas partes interessadas, de que falamos quando falamos de gerenciamento de conteúdo. Tudo isso buscando elevar suas capacidades e para que pudéssemos falar a mesma língua.  Vale ressaltar que os projetos de lei mapeados naquele período não viraram lei, muitos deles apresentavam diversos problemas técnicos.

Foi um exercício interessante porque tive a oportunidade de organizar eventos com universidades como a Universidade Externado da Colômbia e convidar diferentes representantes do ecossistema local da Internet com a ideia de compartilhar resultados e conscientizar sobre a importância da Internet aberta no país, principalmente como se torna uma ferramenta relevante para fortalecer a democracia porque permite a troca de ideias e promove o diálogo, e não se trata apenas de uma discussão técnico-jurídica.

O que o Policy Shapers trouxe para você do ponto de vista técnico e desde a Governança da Internet?

Eu não tenho formação técnica por isso sempre estive mais do lado da discussão de políticas públicas e regulação; e quando você tem a oportunidade de entender tecnicamente o que está acontecendo, o que está por trás dos protocolos da Internet ou da infraestrutura, isso acaba agregando muito valor às discussões porque elas se tornam mais robustas e precisas. Por exemplo, no que diz respeito ao meu trabalho de “Líderes” percebi que muitas das iniciativas que são propostas não podem ser realizadas tecnicamente e isso advém da falta de conhecimento de alguns tomadores de decisões. Quando uma ordem de bloqueio de conteúdo é decidida com satisfação, há algo muito mais complexo por trás dela, que atravessa muitas camadas da Internet e atores. Ter esse conhecimento técnico ajuda muito, principalmente quando se pensa em políticas públicas. A tarefa do LACNIC é traduzir os aspectos ultra técnicos em uma linguagem que possa ser entendida pelas pessoas que tomam decisões e esse aspecto é muito relevante.

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