Uma rede apenas com IPv6: a forma mais simples e segura de operar uma rede

16 de outubro de 2023

Uma rede apenas com IPv6: a forma mais simples e segura de operar uma rede

Silvia Hagen * – Proprietária, Consultora Sênior e Coach Sistêmica de Sunny Connection AG

Meu interesse pelo IPv6 remonta a 1997. Nesse momento estava escrevendo meu primeiro livro técnico, “Resolução de problemas em TCP/IP”. Ao chegar no último capítulo, senti o impulso de sair e ver como poderia ser o futuro. E foi assim que encontrei o primeiro livro de Christian Huitema, “IPv6: o novo protocolo da Internet”. Tratava-se de um livro pequeno – de umas 100 páginas – e no último capítulo do meu livro eu o resumi em dois ou três parágrafos, dizendo: “há um novo protocolo no horizonte, um que eventualmente ajudará a resolver o problema dos endereços IPv4”. Creio que naquele momento era o único livro disponível sobre IPv6. Não consigo explicar porquê, mas por alguma razão este assunto me fascinou.

Foi assim que quando O’Reilly me chamou, três anos mais tardes, e me perguntou se eu podia escrever um livro sobre o IPv6, não hesitei em dizer que sim.  Já sabia, por experiência própria, após ter escrito o primeiro livro sobre TCP/IP, que não há melhor maneira de aprender algo que escrevendo um livro sobre o assunto. E eu estava convencida de que o IPv6 seria o futuro Protocolo da Internet, razão pela qual, valia a pena aprofundar sobre ele. Naqueles primeiros anos, poucos tinham ouvido falar do IPv6, portanto foram principalmente os desenvolvedores que me apoiaram no processo de minha escritura. Desta forma, fui aprendendo da própria fonte.

Desafios no caminho. O desenho do IPv6 começou a princípios da década de 1990. Publicada em 1995, a RFC 1752 foi a primeira RFC sobre o IPv6. Nesse momento chamava-se IPng (next generation).  Já naqueles primeiros dias da Internet, os desenvolvedores previram que o espaço de endereços IPv4 se esgotaria em algum momento. Estimaram que isso aconteceria entre 2012 e 2015 (visto de forma retrospectiva, foi uma boa previsão!), então perceberam que tinham tempo suficiente não apenas para ampliar o espaço de endereços, mas também para tentar fazer com que o protocolo fosse mais escalável para grandes estruturas.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Quanto aos desafios para o desenvolvimento e a implementação do IPv6, creio que a NAT (Network Address Translation) tornou-se cada vez mais popular para resolver os problemas derivados da limitação dos endereços, antes de que o IPv6 estivesse suficientemente amadurecido para ser implementado. O IPv6 foi publicado em 1998 com a RFC 2460, um rascunho de RFC, e só depois de um tempo os provedores fizeram suas primeiras implementações. De maneira que, quando o IPv6 ficou pronto para ser usado, muitos já tinham implementado NAT para “resolver” os problemas urgentes que implicava a limitação de endereços e não encontravam motivos para implementar IPv6.

Numa perspectiva a curto prazo, isso é compreensível. Porém, não é compatível com uma perspectiva a longo prazo, nem do ponto de vista da arquitetura da rede nem da perspectiva de um caso de negócio. Pensando a longo prazo, NAT, deveria revezar-se por uma solução que foi criada para resolver o problema dos endereços, o IPV6.

Se observarmos isso através da lente da Internet, as empresas deveriam entender que todos somos participantes e co-criadores da Internet. O fato de oferecerem ou não seus serviços de Internet, por exemplo websites e lojas online, através do IPv6, tem um grande impacto em outros ISP e nos usuários finais. Para todos os serviços que são oferecidos via Internet, a orientação é que sejam oferecidos em forma dual-stack ou pilha dupla, isso significa que são acessíveis tanto através do IPv4 como do IPv6. Desta forma, cada usuário final poderá acessar o site mediante o protocolo com o qual tiver melhor rendimento.

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