Três personalidades da comunidade
técnica da região destacaram como a Internet se tornou uma ferramenta
fundamental durante a pandemia por COVID 19. Nesses tempos de quarentena e
distanciamento social devido ao coronavírus, a Internet conseguiu manter o
relacionamento social, possibilitando que bilhões de latino-americanos e
caribenhos trabalhem à distância; e a outras muitas crianças e adolescentes
receberem aulas por meio de plataformas educacionais on-line. Da mesma forma, a
Internet manteve viva não apenas a economia da região (e do mundo) com o
trabalho on-line e o e-banking, mas também possibilitou o divertimento da
população com opções de vídeo sob demanda em horários incomuns e jogos on-line
durante o dia todo.
Moderado por Franco Micallizzi, o
LACNIC Podcast reuniu Nicolas Antoniello, Gerente de Relações Técnicas da
ICANN; Lia Solis, Gerente Geral de LACNOG; e Carlos Martínez, Gerente de
Tecnologias do LACNIC, para discutir o papel da Internet durante a pandemia.
Carlos Martínez quebrou o gelo
afirmando que os últimos três meses −desde que a pandemia foi declarada− foram
esquisitos e estranhos. “A vida de todos nós mudou drasticamente de um dia para
o outro. E essa mudança abrupta, felizmente, teve uma ferramenta que permitiu
que o impacto não fosse tão radical, a ajuda da Internet”, afirmou o Gerente de
Tecnologias do LACNIC.
Graças à Internet, grande parte da
população conseguiu continuar trabalhando, conseguiu socializar com a família e
os amigos e também evitou o congelamento dos processos de ensino das crianças e
adolescentes, com aulas por meio de diferentes ferramentas on-line.
“Ficou claro que a Internet é
uma peça da infraestrutura da sociedade atual como a conhecemos”, disse o
CTO do LACNIC.
Martínez estimou que a pandemia pôs
em prática muito rapidamente, e quase ao mesmo tempo, um conjunto de
possibilidades que a Internet sempre teve disponível.
Por sua vez, Antoniello reafirmou que
a Internet tem sido o meio de comunicação, trabalho e socialização por
excelência nos últimos meses. “A vida de muitos de nós”, disse o
colaborador da ICANN, “passou significativamente pela Internet nestes
tempos e tem sido a grande facilitadora de continuar desempenhando, nossas
tarefas de trabalho e nossos vínculos sociais”.
No entanto, Antoniello lembrou que em
uma escala global, cerca da metade da população ainda não tem a possibilidade
de acessar a Internet. “Fica difícil imaginar no meu caso, como estes três ou
quatro meses houvessem sido sem a Internet, não houvesse conseguido trabalhar.
A Internet, nesse contexto, é como a estrela”, reafirmou.
Enquanto isso, Solís representou
graficamente o exemplo da Bolívia, onde, até antes da pandemia, o teletrabalho era
incomum. “Depois da pandemia o trabalho à distância produziu um resultado
excepcional. O grande desafio para as empresas tem sido se adaptar rápido e
investir em tecnologia. Nenhum esforço será desnecessário no futuro”, disse
Solís.
Não entrou
em colapso. Os três especialistas desmistificaram os temores generalizados nas redes
de um possível colapso da Internet devido ao aumento do uso. “A Internet não
entrou nem vai entrar em colapso”, afirmou Antoniello.
“Ficou demonstrado o suficiente
de que todo o trabalho realizado nos últimos anos valeu a pena, pois no
decorrer desta situação a Internet funcionou sem grandes inconvenientes e da
mesma forma que costuma fazer”, acrescentou.
Ele afirmou que o trabalho sobre
questões de segurança e resiliência de mecanismos ou sistemas críticos para o
funcionamento da Internet deve continuar, como o DNS e o roteamento (mecanismos
e caminhos que seguem as informações quando transmitidas em uma rede) em geral,
“mais agora devido à mudança de trabalho do escritório da organização para o
escritório em casa, onde geralmente há mais vulnerabilidades”, disse o
especialista da ICANN.
No mesmo sentido, Solís se expressou
e disse que nesta pandemia ficou demonstrada a importância de promover um
tráfego local. “A proximidade dos conteúdos foi melhor
experimentada”, acrescentou.
O futuro imediato apresenta grandes
desafios, como manter uma Internet estável, alcançar a integração da educação
em segurança e tentar promover o tráfego local, sem depender tanto de uma saída
internacional.
Segundo as estatísticas, houve um
aumento de 20% a 40% do tráfego, com um deslocamento no nível doméstico. O
consumo de vídeo tem diminuído mais durante o dia.
Vida divertida e que vale a pena
viver. No
encerramento do podcast, Solís reafirmou o lado positivo da pandemia através da
criação de capacidades. Antoniello,
enquanto isso, destacou múltiplos aprendizados.
“Temos que aprender como usuários, como fornecedores, levando em conta
esta mudança, que surgirão mais empresas ou organizações que darão a seus
funcionários a possibilidade de trabalhar desde casa. Os fabricantes de
dispositivos também precisam aprender, para que comportamento o dispositivo
está pensado com base nesses novos comportamentos de consumo”, disse
Antoniello.
Para o Gerente de Tecnologias do
LACNIC, “a pandemia acelerou uma década de transformações digitais e a
compactou em dois meses. Muitas dessas transformações chegaram para ficar”.
Ouça o podcast completo aqui (em Espanhol)