O fim do IPv4 nos pontos de troca de tráfego: por que os IXPs caminham para ser IPv6-only e o que isso significa para seu AS

19 de maio de 2026

O fim do IPv4 nos pontos de troca de tráfego: por que os IXPs caminham para ser IPv6-only e o que isso significa para seu AS
Imagem assistida/criada por IA

Por Antonio M. Moreiras, Projects and development manager @ NIC.br | Driving Internet development in Brazil.

O paradoxo da Internet que não para de crescer

O IPv4 acabou. Você já sabe disso. O LACNIC, registro responsável pela América Latina e Caribe, esgotou seu pool geral de endereços em 19 de agosto de 2020. O RIPE NCC, que atende a Europa, fez o mesmo em novembro de 2019. Cada novo endereço IPv4 obtido hoje vem de devoluções, recuperações ou do mercado secundário, onde levantamentos de 2026 colocam um bloco /24 (256 endereços) em torno de USD 25 a USD 30 por endereço.

Apesar disso, a Internet não parou de crescer. Aqui no Brasil, esse crescimento passa pelos Pontos de Troca de Tráfego do IX.br, que é um dos maiores conjuntos de IXPs existentes e abriga o maior IXP do mundo em volume de tráfego e quantidade de redes participantes, o IX.br São Paulo. Em março de 2026, o conjunto dos PTTs do IX.br atingiu 50 Tbit/s de tráfego agregado, com a iniciativa presente em 39 diferentes áreas metropolitanas.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Há, porém, um problema pouco visível nessa expansão. Mesmo que o tráfego que passa por um IXP venha a ser em breve majoritariamente IPv6, a infraestrutura interna, especialmente as sessões com o route server, ainda depende de endereços IPv4 em muitos cenários. Esses endereços vêm de pools finitos, gerenciados com cuidado crescente pelos RIRs. Há também uma segunda motivação, menos óbvia mas operacionalmente muito relevante: uma peering LAN IPv6-only permite retirar o ARP do domínio Ethernet do IXP. Em vez de resolver endereços IPv4 por broadcast Ethernet, a descoberta de vizinhos passa a ocorrer por Neighbor Discovery em IPv6, com um modelo mais controlável e mais adequado a ambientes compartilhados de grande escala. A solução para esse problema já existe, já está padronizada e já está em produção em alguns IXPs. Este artigo explica o problema, a solução e os pontos de atenção para os operadores brasileiros.

O que é um IXP e por que o endereçamento interno importa

O que é um IXP e por que o endereçamento interno importa

Um IXP é, na essência, uma rede Ethernet de grande porte. Centenas de roteadores de diferentes organizações (provedores de Internet, empresas de conteúdo, universidades, órgãos governamentais) conectam-se a um switch compartilhado. A partir daí, cada um estabelece sessões BGP com os demais para trocar informações de roteamento e, consequentemente, encaminhar tráfego de forma direta, sem passar por provedores intermediários.

As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.

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