Entender Internet para uma legislação melhor

31 de março de 2026

Entender Internet para uma legislação melhor

Por Paula Oteguy

A Cúpula Parlamentar Regional do IGF, realizada em 24 de março em Montevidéu, deixou uma coisa muito clara: para regular adequadamente o ambiente digital, não basta reagir às novas tecnologias; é necessário entender como a Internet funciona e criar espaços de diálogo entre quem legisla e quem trabalhamos em estreita colaboração com a sua dimensão técnica.

Hoje, as questões digitais estão ocupando cada vez mais espaço nas agendas públicas. Inteligência artificial, plataformas, dados, segurança cibernética, infraestrutura: são assuntos que já não pertencem exclusivamente ao mundo técnico. Eles permeiam a vida cotidiana, a economia, a educação e o funcionamento de nossas sociedades. E é por isso que também precisam ser abordadas por legisladores, parlamentares e reguladores, entre outros.

No LACNIC, temos trabalhado nessa direção de forma contínua, tanto por meio do nosso programa Policy Fellows quanto por meio da nossa participação na organização, juntamente com a CEPAL, CETIC.br e CAF, das Escolas de Transformação Digital e Inovação do Caribe e da América Latina. Estamos convencidos de que podemos dar uma contribuição valiosa nesse processo. Não se trata de ditar o que deve ser regulamentado, mas sim de ajudar a garantir que as regulamentações sejam desenvolvidas com uma melhor compreensão de como a Internet funciona, quais os impactos técnicos que certas medidas podem ter e quão viáveis ​​algumas propostas são na prática. Do nosso ponto de vista, enquanto organização técnica e neutra, temos interesse em ser um ponto de referência que contribua para o enriquecimento desses debates.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Esse foi precisamente um dos temas centrais da quarta Cúpula Parlamentar Regional do IGF, que reuniu mais de 90 representantes parlamentares, especialistas e atores de diferentes setores para refletir sobre como antecipar as mudanças no ambiente digital.

Na abertura, Rodrigo Goñi, presidente da Câmara de Representantes do Uruguai, e Chengetai Masango, Head of Office do Secretariado do IGF das Nações Unidas, enfatizaram a necessidade de os parlamentos se envolverem cada vez mais nos debates sobre governança digital.

Para nós, um dos momentos mais valiosos do dia foi a primeira sessão de trabalho, moderada por Lydia Garrido. Ali, foi proposto algo tão simples quanto necessário: ajudar a tornar visível essa camada digital que muitas vezes passa despercebida, conectando a dimensão técnica com a política. Porque quando se regula a Internet sem compreender os seus fundamentos, corre-se o risco de se construir respostas incompletas.

As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.

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