Reflexões do LACNIC sobre CMTI/WCIT

28 de dezembro de 2012

A Conferência Mundial de Telecomunicações Internacionais da União Internacional de Comunicações (CMTI), conhecida como WCIT por sua sigla em inglês, finalmente tem concluído.

Depois de mais de um ano de trabalho analisando propostas, falando com governos e participando de debates preparatórios, a conclusão deste encontro deixa
sentimentos contraditórios.

Um aspecto positivo é que as sessões plenárias foram transmitidas pela Internet, permitindo que milhares de pessoas no mundo todo pudessem seguir as discussões em tempo real.

Como aspecto negativo é preciso salientar que várias sessões chave foram limitadas apenas para representantes governamentais, não permitindo a presença, mesmo como ouvintes, dos membros da UIT setoriais (não governamentais), além de que em questões importantes como na resolução que faz referência a assuntos da Internet, foram seguidos procedimentos confusos de votação que não contribuíram nem à transparência nem à procura de consensos.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Como organismo intergovernamental, a UIT e/ou os estados membros têm o direito de restringir a participação, mas está claro que essas práticas não são adequadas aos tempos da Sociedade da Informação bem como às demandas de transparência e abertura expressadas por múltiplos atores. As organizações que não evoluam para um modelo mais aberto e participativo correm o risco de ver questionada a sua legitimidade em um futuro próximo. Quem como o LACNIC são participantes ativos dos debates da Internet tanto a nível regional quanto global, esperamos sinceramente que a UIT dê sinais de maior abertura no futuro, o que resultará, sem dúvida, em um maior envolvimento e compromisso de todos os interessados.

Levando em conta que o Regimento das Telecomunicações Internacionais não tem sido alterado desde 1988, é compreensível que seja promovida a sua atualização.

O LACNIC considera que o texto acordado para o novo tratado é razoável e aceitável, sem prejuízo de expressar que entende que os artigos 5ª e 5B, que referem a Segurança e Comunicações Não Solicitadas, não deveriam ter sido incluídos já que não acrescentam aspectos significativos ao acordo e que, além disso, a ambiguidade de sua redação pode levar a que países com pouca tradição no respeito aos Direitos Humanos usem esses artigos como uma forma de legitimar restrições às liberdades na Internet.

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