Redes comunitárias lideradas por mulheres de comunidades quilombolas e marisqueiras

8 de março de 2019

Redes comunitárias lideradas por mulheres de comunidades quilombolas e marisqueiras

Dois projetos de redes comunitárias liderados por mulheres indigenous levarão a Internet para comunidades do nordeste brasileiro, em uma iniciativa financiada pelo Programa FRIDA de LACNIC.

Ambas as propostas foram selecionadas em uma chamada feita pela organização Artigo 19 do Brasil para apoiar comunidades em áreas vulneráveis no acesso ao mundo digital.  Esta iniciativa de Artigo 19 de promover organizações lideradas por mulheres ganhou um dos subsídios de FRIDA do ano passado destinado a promover redes comunitárias.

No marco da comemoração do dia 8 de março, a instalação da primeira dessas redes comunitárias será anunciada na comunidade de Peri Peri (Piauí), um projeto liderado pelo Instituto de Mulheres Negras Ayabás. A segunda rede será instalada no mês de abril em Itaparica, Bahia, com o apoio do coletivo Periféricas.

Laura Conde Tresca, Diretora Executiva Interina de Artigo 19, afirmou que os projetos de associações com lideranças femininas foram encorajados a “reconhecer a opressão de gênero que ainda está muito presente na sociedade brasileira”.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Quais são as características das duas comunidades selecionadas para implementar essas redes comunitárias?

Ambos os projetos selecionados são de grupos do nordeste do país: Periféricas (Bahia) e Instituto de Mulheres Negras Ayabás (Piauí), compostos e liderados por mulheres indígenas e negras organizadas politicamente para garantia de direitos, fortalecimento das pautas de mulheres e contra violência doméstica e sexual. O Instituto Ayabás irá acompanhar e articular localmente a montagem da rede na comunidade de Peri-Peri, interior do Piauí e as Periféricas farão este papel de suporte técnico, político e social para grupos da periferia de Salvador e para as Marisqueiras de Itaparica (interior do estado), onde a rede será implementada. Os grupos foram selecionados pois além de serem coletivos muito respeitados dentro dos movimentos de mulheres, trabalham com comunidades em seus respectivos estados e atuarão também desta forma como multiplicadoras  dos conhecimentos e suporte técnico e político relacionados a redes comunitárias das oficinas e redes montadas pelo projeto, fortalecendo assim os laços locais e aumentando a sustentabilidade das redes.

Por que colocaram ênfase especial em trabalhar com Associações de Mulheres para esses projetos? Como essas mulheres líderes têm impacto na sustentabilidade de longo prazo das redes comunitárias e no acesso da comunidade à Internet?