As Lições do Quênia

14/12/2011

Três representantes de organizações civis da Internet da região do LACNIC participaram neste ano do Fórum de Governança da Internet (IGF 2011) que aconteceu em Nairóbi (Quênia) organizado pelas Nações Unidas para discutir os desafios atuais da governança da Internet.

Foi o sexto encontro mundial do Fórum de Governança da Internet e foi promovido pelas Nações Unidas. Teve como assunto central a importância da Internet como catalisador para a mudança e promotor das liberdades, o desenvolvimento e a inovação.

As delegações latino-americanas convidadas a Nairobi foram escolhidas durante a reunião do Pré IGF de Trinidad e Tobago e tiveram a possibilidade de participar do encontro mundial e trocar experiências com representantes de organizações da sociedade civil do mundo todo acerca de questões como segurança cibernética, liberdade de expressão, recursos fundamentais da Internet e governança da rede.

“NÃO ESTAMOS SOZINHOS”. Jorge Bossio, diretor executivo de Diálogo Regional sobre a Sociedade da Informação, considerou o Fórum de Governança na Internet como “um dos poucos espaços de diálogo aberto que se tem formado e que ainda se mantem”.

Bossio salientou que mesmo tendo participado à distância de fóruns anteriores graças às plataformas implementadas para tal fim, “é claro que há muito conhecimento e experiência que não podem ser transmitidos por videoconferência: os bate-papos antes e depois de cada sessão,  mãos levantadas que não puderam falar por falta de tempo, a reunião cancelada que mesmo assim foi realizada graças ao interesse dos participantes, as trocas com o colega no ônibus durante a longa viagem de todos esses dias no tráfego dos arredores de Nairobi”.

Por isso apontou que “é muito importante conhecer a quem trabalham desde seus governos, empresas e organizações para fazer da Internet uma ferramenta valiosa para a humanidade assim como reconhecer entre eles e elas os participantes de longas mas divertidas e interessantes discussões nas listas de correios, fóruns e twitter… Era você! Muito prazer em conhecê-lo!”.

“A agenda da governança da Internet é muito extensa e até certo ponto, aflitiva. Saber que não estamos sozinhos e que há milhares de pessoas dispostas a doar seu tempo e compartilhar um espaço para tentar resolver ou pelo menos analisar os principais problemas relacionados com o desenvolvimento da Internet e seu impacto na sociedade, ajuda-nos a voltar para casa ansiosos para seguir adiante”, acrescentou o diretor executivo de Diálogo Regional sobre a Sociedade da Informação.

DIREITOS HUMANOS. Eleonora Rabinovich, diretora do Programa de Liberdade de Expressão da Associação pelos Direitos Civis, também participou da reunião de Nairobi como bolsista da região.

Eleonora reconheceu que o IGF “ofereceu uma multiplicidade de pontos de vista sobre a governança e a regulamentação da Internet”. Entre elas salientou “a necessidade de incluir a perspectiva dos direitos humanos, garantindo sua vigência nesse marco. Por isso, a possibilidade de participar nesse fórum foi, para uma organização como a Associação pelos Direitos Civis, extremamente rica”.

O Fórum lhe permitiu a oportunidade de trocar experiências com diferentes atores, aprender e contribuir às discussões desde “a agenda de direitos, principalmente a partir do nosso foco em liberdade de expressão e acesso à informação”.

ENTRE A URGÊNCIA E A COMPLEXIDADE. Hugo Carrión da ONG Imaginar do Equador considerou, após a sua experiência em Nairobi, que a governança da Internet “está deixando de ser apenas uma questão de discussão entre os governos ou entre as elites acadêmicas”.

Qualificou sua participação no Fórum como “uma experiência inesquecível” para quem representa “um grupo da sociedade civil que pretende entender como as tecnologias de informação e comunicação afetam a vida quotidiana”.

Salientou que “a impressionante diversidade de assuntos tratados e ao mesmo tempo a profundidade do conteúdo” lhe mostraram de forma cabal a complexidade e urgência do trabalho. Um trabalho que não é apenas responsabilidade de quem, como os governos, são os responsáveis das políticas públicas, mas também de nós, usuários da Internet, que devemos aprender que a sociedade da informação propõe novos direitos e obrigações”.

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