Após o esgotamento dos endereços IPv4, as organizações da região aumentam seus anúncios de prefixos IPv6 para desenvolverem com mais celeridade seu crescimento na Internet. A Megacable do México é uma dessas organizações que estão no TOP ASN da região em anúncios de prefixos.
Com uma evolução destacada em estadísticas de penetração do IPv6 no sistema autônomo, a Megacable é um dos casos de sucesso de IPv6 na América Latina e Caribe.
Em diálogo com o LACNIC News, Jorge Humberto Perez Pasillas, gerente de projetos e serviços IP da Megacable, destacou a estratégia implementada para implantar IPv6 e ao mesmo tempo oferecer serviços a usuários que ainda utilizam o produto anterior.
Tanto no México como em outros países da América Latina, os provedores de serviços estão trabalhando com diferentes estratégias para a transição gradativa para o IPv6.
Na Megacable estabelecemos uma estratégia que nos permita ser mais ágeis na implementação do IPv6, permitindo-nos, de forma simultânea, suportar dispositivos tanto dos terminais de rede quanto dos usuários que não são capazes de utilizar IPv6 (só IPv4) e aqueles que já são de maneira nativa capazes de suportar IPv6 e IPv4 (conforme forem respondidas as suas solicitações de CDN´s e as dos provedores de conteúdo consultados). Além disso, implementamos em nossas redes “Dual Stack”, de acordo com a relação custo-benefício, oferecendo IPv6.
Preferimos o “Dual Stack” porque garante a implementação da forma mais transparente possível.
Mesmo assim, há anos que toda a aquisição de equipamentos deve ser compatível com o IPv6, isto nos permitiu que a base de assinantes tenha a possibilidade de obter conteúdo via IPv6 se seus equipamentos de informática, dispositivos móveis ou inteligentes assim o permitirem. Não obstante, contamos ainda com a base de equipamento terminal IPv4 que a cada ano vamos substituindo pela nova geração de equipamentos que possibilitam tráfego em IPv6.
Megacable é considerada uma das empresas líderes no mercado das telecomunicações no México, razão pela qual tem muita responsabilidade e contribui de maneira relevante no desenvolvimento tecnológico do país, fornecendo acesso e conectividade à Internet no México; da mesma forma tem um importante compromisso com a qualidade do serviço e experiência de uso de nossos clientes, o que nos levou a realizar uma análise exaustiva em cada uma das etapas que cursamos com nossos sócios provedores de tecnologia, para finalmente implementar a estratégia selecionada.
Em relação ao total de recursos, qual a porcentagem de anúncio de prefixos IPv6 que vocês contam?
Atualmente anunciamos 411 prefixos para a Internet, não mencionamos porcentagem, já que parte do endereçamento global que nos foi atribuído está sendo utilizado para realizar parte do processo administrativo de nossos dispositivos e requeremos que não seja publicado na Internet. A infraestrutura com suporte a “Dual Stack” contemplou a rede de core, rede de acesso e aplicativos envolvidos na entrega de serviços que têm sido fundamentais na implementação.
Como foi possível manter e até mesmo acelerar seu plano de implementação do IPv6 durante a pandemia pela COVID?
A pandemia é um evento que mudou a forma como realizamos nossas atividades em todos os âmbitos; como era de se esperar o confinamento incrementou a utilização da rede de Internet para uso social, educativo, trabalho e entretenimento; em muitos casos refletiu-se com um aumento de produtividade.
Megacable acredita que a disponibilidade do serviço de Internet nesta etapa é fundamental, e para isso, incrementar a capacidade da infraestrutura foi primordial, integrando a implementação do IPv6, visto que é um ponto estratégico para conseguir estender o endereçamento IP, que já está esgotado em sua versão IPv4. Não foi fácil, portanto tivemos que redobrar esforços para gerar e acelerar este crescimento na rede da Megacable.
Perante o iminente esgotamento do IPv4 na região, consideram que o IPv6 é a única alternativa viável para o desenvolvimento da Internet?
O esgotamento do IPv4 definitivamente é um fator decisivo da transição para o IPv6. O IPv6 é uma mudança em longo prazo, já que o conteúdo da Internet não está completamente neste protocolo, portanto, a referida transição deve ser complementada com estratégias que nos permitam manter a conectividade e a compatibilidade do conteúdo ou dos aplicativos que não fizeram a transição para o IPv6, por isso ainda precisamos depender do IPv4.
Estimam que as operadoras sabem das oportunidades que o IPv6 apresenta?
Cada operadora possui conhecimento de sua infraestrutura, bem como das limitações da mesma, mesmo quando existem tecnologias para fazer a transição para o IPv6, estas têm um alto custo econômico que impacta nos planos de investimento e, caso não sejam implementadas, podem gerar problemas ou interferir na qualidade da experiência para os usuários finais; estar preparada para uma transição para o IPv6 com a metodologia que for mais afim para cada operadora, torna-se mais econômico em longo período (considerando os custos de CGNAT´s e aquisição de endereçamento IPv4 no mercado com brokers ou terceiros), portanto tomar a decisão de quando começar ou a qual ritmo avançar pode se tornar um fator importante para ter uma operação ótima e oferecer um serviço de qualidade com melhor experiência para os usuários ou assinantes dos serviços ofertados pelas Operadoras de Múltiplos Serviços de Telecomunicações.