A inovação na Internet, uma história de adaptação constante e soluções sob medida

5 de junho de 2024

A inovação na Internet, uma história de adaptação constante e soluções sob medida
Desenhado por Freepik

Por Carlos Martinez Cagnazzo, Gerente de Tecnologia do LACNIC

Há uma questão interessante em como foi gerada a inovação e a evolução da Internet ao longo da sua história que difere significativamente do que tem acontecido em outros casos: na Internet foram se inventando as soluções à medida que iam fazendo falta, diferente, por exemplo, de como trabalham outras disciplinas de desenho ou de como foram construídas outras tecnologias – como as redes telefónicas – onde o paradigma predominante é “de cima para baixo”, as especificações ou marcos gerais são os que determinam as funcionalidade, os percursos ou os encontros que serão utilizados.

Nesse sentido, gostaria de mencionar o caso da arquitetura mais famosa das redes de computadores: o modelo de “sete camadas” o “Modelo OSI” (Interconexão de Sistemas Abertos, por suas siglas em inglês). A finais dos anos 70, já começou a advertência de que os computadores precisavam se interconectarem. Nesse momento, o único que existia eram os mecanismos proprietários determinados pelos grandes fabricantes dos micro e minis computadores (por exemplo: os entornos da IBM, entre outros). O mais importante para destacar é que cada fabricante possuía seu padrão de comunicação entre computadores.

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Progressivamente, a discussão começou a focar-se na sustentabilidade desse modelo, que sequer era funcional para os próprios fabricantes. Surgia então a necessidade de determinar uma estrutura padrão de redes e o resultado foi a definição do modelo OSI. Nesse momento, os fabricantes mais tradicionais recorreram a um organismo de padronização (International Organization for Standardization), desde uma série de requerimentos base, a partir dos quais definiram uma variedade de instâncias e parâmetros para o funcionamento do modelo (de fato, o documento completo constava de 2000 páginas).

(Acesso livre, não requer assinatura)

O mais interessante derivado desse modelo foi o conceito de “camada”:  se os dados entre os dispositivos viajam através de alguma forma de meio físico (conexão elétrica) … como esses sinais se tornam efetivamente uma página da Internet? A resposta é que vão percorrendo uma série de camadas e cada uma dessas camadas vai adicionando uma funcionalidade. A camada física (responsável pelos equipamentos físicos e por possibilitar a transferência de dados, como cabos e roteadores, onde os dados se convertem em fluxo bits).  Depois a camada de enlace de dados (responsável pela transferência de informação na mesma rede e pelo controle dos erros e do fluxo de dados) e a camada de rede (responsável pela divisão dos dados no dispositivo do remitente e por repô-los no dispositivo do destinatário quando a transmissão for entre duas redes distintas). O modelo completa-se com a camada de transporte, a camada sessão, a camada de apresentação e a camada de aplicação.

Se bem, o modelo OSI é em tese muito relevante, o que aconteceu com sua implantação concreta tem mais a ver com algo do tipo prático:  levou muito tempo escrever e definir todos os parâmetros, mas uma vez que o stack ficou completo e todas as definições estavam prontas, todo mundo já usava o protocolo TCP/IP.

Quero salientar que OSI chegou mais longe, definindo, até mesmo, protocolos de enlace e protocolos de redes, no entanto, a pesar do investimento de tempo e de dinheiro para a definição desses protocolos, eles não são utilizados, mesmo funcionando corretamente. O único que possui certa utilidade entre os usuários e que os puristas costumam dizer que são utilizados em redes telefônicas, é o protocolo IS-IS, um protocolo de porta de enlace interior (IGP) que usa informação de estado de vínculo para a tomada de decisões de roteamento.

As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.

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