A conectividade comunitária como alternativa

27 de fevereiro de 2019

A conectividade comunitária como alternativa

As redes comunitárias tornaram o acesso à Internet uma realidade para milhares de latino-americanos que vivem em áreas consideradas de vulnerabilidade econômica e social. Ali, aonde as grandes companhias não chegam com suas fibras e equipamentos sem fio, estes projetos sociais permitiram que muitas pessoas se conectassem à Internet e evitassem ser relegadas também do mundo digital.  

Atalaya Sur, nascida em 2014, é uma das iniciativas que surgiram na região para enfrentar o problema da falta de acesso à Internet. Impulsionada pela organização social Proyecto Comunidad (Projeto Comunidade) a Atalaya Sur conseguiu democratizar o acesso à Internet e trouxe conectividade para a populacao de uma vila próxima a Buenos Aires (Villa 20) e de dois povoados em Jujuy (La Quiaca e Cieneguillas) na Argentina.

Devido ao seu desempenho bem sucedido, este projeto foi distinguido com o prêmio FRiDA 2018. Manuela González, membro da Atalaya e da organização Proyecto Comunidad, considerou que o aspecto social de uma rede comunitária é fundamental, pois as mesmas pessoas que usam a rede são as que constroem e assumem o compromisso de mantê-la e fazê-la crescer.

Como nasceu o projeto Atalaya Sur, e como tem evolucionado desde a sua criação?

Nós não vínhamos da área da tecnologia, mas pela nossa experiência entendemos que tínhamos que resolver essa problemática, porque o acesso desigual, tanto em termos materiais quanto simbólicos, aprofunda as desigualdades que já existem em termos estruturais e porque entendemos que a comunicação é um direito humano.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Desenvolvemos três linhas de trabalho abordando: (a) o problema da apropriação tecnológica a partir das dimensões do acesso, a distribuição não comercial da Internet e a produção de conhecimento através do desenvolvimento de redes comunitárias de conectividade em populações que atualmente não acessam ou o fazem de maneira restrita; (b) a produção de conteúdos e a geração de plataformas locais para a disseminação e participação da comunidade; e (c) a promoção de vocações tecnológicas por meio de cursos e oficinas de formação sobre o uso das tecnologias de comunicação e informação, telecomunicações, programação, robótica e impressão 3D.

O projeto começou na Villa 20 da Cidade Autônoma de Buenos Aires, um assentamento no qual mais de 30.000 pessoas vivem em uma situação de grande vulnerabilidade econômica e social. Ali, assim como não há uma rede de serviços básicos, também não há possibilidade de contratar um provedor legal da Internet. A fim de conseguir um acesso à Internet e às TIC acessível para a população, foi desenvolvida uma rede WI-FI pública, livre e gratuita com 27 pontos de acesso localizados nas principais ruas do assentamento. Assim mesmo, foi desenvolvido o portal www.villa20.org.ar e consolidados espaços de formação nas TIC ao serviço da produção de conteúdos locais.

O planejamento e instalação da infraestrutura, que combina o uso de fibra óptica e radiofrequência, foram acompanhados por capacitação em redes voltadas aos jovens do bairro. Isso permitiu a consolidação de uma equipe técnica que do suporte à rede e cuja formação contribuiu para replicar a experiência em outros territórios.