“Se voltássemos a desenhar a Internet, teria de ter mais privacidade e segurança”

31 de maio de 2017

“Se voltássemos a desenhar a Internet, teria de ter mais privacidade e segurança”

Esteve alguns meses morando em Montevidéu e colaborando com a equipe de LACNIC. Daniel Karrenberg, um dos pioneiros da Internet na Europa e um dos fundadores de RIPE, acomoda-se na cadeira pronto para contar a sua experiência na região ao mesmo tempo em que prepara o chimarrão, infusão típica destas zonas do Cono Sul.

A extensa conversa percorreu questões como o esgotamento do IPv4, os caminhos para aprofundar a implementação do IPv6, o compromisso da comunidade para manter o registro adequado dos endereços IP, e até mesmo o novo papel dos Registros Regionais.

O diálogo com este alemão, nascido em Düsseldorf há 58 anos e residente na Holanda, é um convite ao otimismo sobre o futuro da Internet.

P: Como você vê que está sendo vivida a transição do IPv4 para o IPv6 na região LACNIC?

(Acesso livre, não requer assinatura)

A: Na verdade, vimos essa transição um pouco do ponto de vista da pesquisa e coletamos alguns dados. É muito interessante ver que muitos ISP da região anunciaram prefixos IPv6, de modo que desde o resto da Internet podem ser alcançados pelo IPv6.

Se olharmos para os números e compararmos as cinco regiões, vemos que de fato a região LACNIC tem a maior percentagem de sistemas autônomos alcançáveis pelo IPv6 do mundo. Mas é claro que isso é apenas metade da história, a parte para o resto da Internet. Se olharmos para a outra metade da história, utilizando dados como os coletados pelo Google ou Geoff Huston de APNIC, vemos que há muito pouco tráfego IPv6 que realmente é originado na região. Assim que os ISP estão aceitando conectividade IPv6 a partir do resto da Internet, mas para os seus clientes não é muito o que estão fazendo. Isso é o que parece. Isto não é muito surpreendente, uma vez que mesmo em alguns países da nossa região acontece exatamente o mesmo. Na maior parte trata-se de uma decisão de negócios de cada ISP, que deve decidir se quer investir na implementação do IPv6 para seus clientes, e esta decisão pode estar determinada por razões diferentes. Para os provedores de conteúdo, a razão principal é fazer com que o seu conteúdo fique disponível em forma universal, como no caso do Google. Google promove o IPv6 porque não quer nenhum NAT entre seus usuários e seu conteúdo, porque isso iria oferecer aos ISP a possibilidade de fazer alguma coisa com esse tráfego. Quer dizer que está interessado em ter IPv6 para evitar essas dificuldades.

Há outros ISP onde estão os usuários finais, chamado comumente de “eye ball ISP”. Estes ISP implementam o IPv6 por motivos técnicos. Um claro exemplo é a Comcast nos Estados Unidos. Eles simplesmente disseram: “Bem, vamos implementar novos equipamentos nas instalações dos clientes; tecnicamente, é muito mais fácil para nós implementar isto com o IPv6; vamos fornecer um endereço IPv4 acima do IPv6”.   Esta é uma implementação enorme que foi decidida exclusivamente por motivos técnicos.

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