A confiança digital se constrói sobre uma Internet segura
2 de junho de 2026

Ernesto Majó, diretor executivo do LACNIC
Em segurança cibernética analisamos primeiro os aspectos mais visíveis: ataques, fraudes, interrupções, roubo de dados, entre outros. Mas existe outra dimensão, menos óbvia, mas não menos importante: a segurança da base sobre a qual a Internet opera diariamente.
Em um ambiente cada vez mais interconectado, a confiança digital não pode se basear apenas em suposições. Exige verificação, coordenação e capacidade de resposta. E é aí que a segurança na Internet requer uma dimensão estratégica.
A Internet foi concebida para um contexto diferente, com funcionalidades limitadas e uma rede muito menor, com poucas entidades e pessoas participando e baseada fundamentalmente em relações de confiança entre esses poucos atores. Com o tempo, a Internet passou a ocupar um lugar central na sociedade, na economia e nos serviços, integrando-se ao cotidiano. Essa mudança de escala também modificou os requisitos de segurança. A confiança já não basta: é necessário verificar, medir e coordenar de forma eficaz.
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Como Registro Regional da Internet, nossa contribuição envolve o fortalecimento da base operacional da Internet na América Latina e o Caribe. Isso implica, em primeiro lugar, que as informações das organizações que gerenciam os recursos de rede sejam precisas e estejam atualizadas, para que o operador responsável possa ser contatado quando necessário. Quando acontece um incidente, por exemplo, ter dados precisos permite chegar ao ponto certo mais rapidamente, facilita a coordenação e reduz a margem de erro na resposta.
Envolve também a promoção e o apoio à adoção de padrões abertos que fortaleçam a segurança do funcionamento da Internet. No roteamento, por exemplo, ferramentas como o RPKI permitem migrar de um modelo baseado em confiança implícita para um baseado em verificação. Ao longo desse percurso, podemos observar progressos concretos: em 2025, as rotas válidas com RPKI nos países da região de serviço do LACNIC atingiram 60% no IPv4 e 60,87% no IPv6. Além disso, com o projeto FORT, uma iniciativa para promover a implementação de RPKI com ferramentas abertas desenvolvidas em conjunto pelo NIC México e o LACNIC, ajudamos a fortalecer esse processo.
Algo semelhante acontece com o DNS, uma camada central para a operação da Internet. Há também um trabalho menos visível, mas fundamental, para manter a estabilidade, integridade e confiança. No LACNIC, contribuímos para essa tarefa por meio de serviços técnicos, como o fornecimento de serviço de DNS reverso para a região e da promoção de práticas que fortalecem a operação da rede na região, em particular incentivando a implantação do DNSSEC.