Escrito por Elisa Peirano, Analista de Dados P&D do LACNIC
No âmbito do nosso próximo evento anual LACNIC 45, a ser realizado no Panamá, analisamos o panorama atual da Internet neste país com base em diversas fontes de informação unificadas no portal Medições da Internet por país*.
Este relatório apresenta indicadores-chave sobre o estado da rede no Panamá, incluindo anúncios BGP, cobertura da plataforma RIPE Atlas, implementação de MANRS bem como a adoção do IPv6 e do RPKI. Esses dados fornecem uma visão abrangente do desempenho da Internet no país e têm como objetivo apoiar as decisões que visam fortalecer sua infraestrutura e resiliência.
Anúncios no BGP
A imagem à esquerda representa a porcentagem dos ASN anunciados por tipo. No BGP, os ASN anunciados podem ser divididos em 3 tipos:
(Acesso livre, não requer assinatura)
ASN de origem: este é o ASN que anuncia os prefixos. (Azul)
ASN de trânsito: são os ASN que conectam o ASN de origem dentro do território de um país. (Verde)
ASN upstream: fornecem conectividade a um país para o exterior. (Vermelho)
Do outro lado, à direita, aparece em azul o percentual de IPv4 anunciado e em vermelho o percentual de IPv6 anunciado. Vale ressaltar que a porcentagem do IPv6 anunciado (10,4%) apresentou um crescimento inferior a 2% desde o LACNIC41 em maio de 2024 (evento também realizado no Panamá).
Outro dado interessante é o comprimento médio de AS PATH, que no caso do Panamá é 4.87.
Em relação aos outros países vizinhos ao Panamá, o comprimento médio do AS PATH é:
ASN de origem: este é o ASN que anuncia os prefixos. (Azul)
ASN de trânsito: são os ASN que conectam o ASN de origem dentro do território de um país. (Verde)
ASN upstream: fornecem conectividade a um país para o exterior. (Vermelho)
Do outro lado, à direita, aparece em azul o percentual de IPv4 anunciado e em vermelho o percentual de IPv6 anunciado. Vale ressaltar que a porcentagem do IPv6 anunciado (10,4%) apresentou um crescimento inferior a 2% desde o LACNIC41 em maio de 2024 (evento também realizado no Panamá).
Outro dado interessante é o comprimento médio de AS PATH, que no caso do Panamá é 4.87.
Em relação aos outros países vizinhos ao Panamá, o comprimento médio do AS PATH é:
Costa Rica: 4.74
Colômbia: 6.21
DNS
Em relação à implementação de DNS existem vários aspectos a analisar. De um lado, podemos ver os tempos de resposta do Panamá para os servidores raiz. Vale esclarecer que o Panamá possui 5 instâncias dos servidores raiz, D, E, I, K e F. Do outro lado, é interessante observar o tempo de resposta à nuvem anycast de LACTLD. Esses 2 aspectos podem ser observados nos gráficos a seguir.
RIPE Atlas
RIPE Atlas é uma plataforma de medições da Internet gratuita e aberta. Possui uma capacidade enorme para medir latências, traceroutes, dns, http e ntp, entre outros. É baseado na participação da comunidade para hospedar as sondas e assim conseguir uma cobertura suficiente para ter dados completos e imparciais.
No caso do Panamá, existem 21 sondas conectadas até o momento, das quais 1 é uma âncora instalada na Intered. As sondas estão concentradas principalmente na Cidade de Panamá e arredores.
Ainda há muito espaço para melhorar a cobertura das sondas no Panamá e, assim, obter uma visão o mais próxima possível da realidade da conectividade.
A seguir, propomos uma lista de redes onde as sondas precisam ser instaladas. Além da cobertura da rede, é necessário levar em consideração a distribuição geográfica.
Se você identificar sua rede na lista, não hesite em entrar em contato conosco atlas-lac@lacnic.net para se informar sobre o assunto e receber suporte para a instalação da sonda.
MANRS
Normas de acordo mútuo para segurança de roteamento (MANRS) é uma iniciativa para melhorar significativamente a segurança e a resiliência do sistema de roteamento global da Internet. Incentiva aqueles que executam o BGP a implementarem as melhores práticas do setor bem estabelecidas e soluções tecnológicas que possam enfrentar as ameaças mais comuns.
A seguir, é apresentada a porcentagem de preparação de cada aspecto para o Panamá:
Como pode ser visto no gráfico, o Panamá tem 100% de filtering, o que é uma contribuição significativa para a segurança e resiliência da rede.
Com relação ao RPKI, o MANRS avalia, de um lado, a porcentagem de rotas anunciadas por um sistema autônomo que não são cobertas por nenhum ROA (ou seja, prefixos não registrados) e, do outro lado, a porcentagem de rotas que são inválidas devido a um ROA existente. Uma vez que o RPKI considera tanto a falta de registro quanto a presença de ROA incorretos que invalidam anúncios legítimos, o cálculo final ajusta a pontuação penalizando as rotas inválidas, usando uma fórmula que reduz significativamente o peso deste segundo fator para refletir seu maior impacto na validação global.
Com base nesse cálculo, o Panamá registra 68,1% de readiness, que resulta ligeiramente inferior ao da Costa Rica (76,3%). Em contrapartida, as rotas registradas no IRR representam 91,5%, o que representa uma porcentagem muito boa.
Adoção IPv6
Hoje, o Panamá tem uma taxa de adoção do IPv6 de apenas 6%. Como pode se apreciar na imagem, está bem abaixo da média regional.
A implementação do IPv6 para o usuário final no Panamá está atualmente em um nível claramente atrasado, não apenas em comparação com a média da América Central (50,00%), mas também muito abaixo de países de referência próximos, como Colômbia (21,70%) e Costa Rica (14,06%). Além disso, essa implantação apresentou avanços e retrocessos acentuados, mais associado a variações instáveis do que a uma trajetória de crescimento sustentado, ao contrário do que se observa em outros países da região.
RPKI
Ao usar o RPKI, os operadores da região podem verificar se um sistema autônomo está autorizado para anunciar uma determinada faixa de prefixos. Isso permite validar que os anúncios BGP não sejam feitos por sistemas autônomos não autorizados e que o tráfego de informações da Internet não seja desviado no caminho.
Como a implementação do RPKI ainda não é universal, os resultados da validação podem ser variados. Os prefixos que aparecem como “válidos” são protegidos pelo RPKI e sabemos com certeza que são confiáveis. Os chamados “not found” são anúncios de prefixos que ainda não estão protegidos pelo RPKI. Os “inválidos” são anúncios errados ou maliciosos.
No caso do Panamá, o percentual de cobertura RPKI (prefixos cobertos por ROA) é de 91,8%.
Este gráfico, extraído do monitor do Projeto FORT, mostra a porcentagem de pares de prefixos IPv4/AS de origem válidos e inválidos sob a cobertura RPKI por país. À medida que a implementação do RPKI avança, o número de prefixos desprotegidos (not found) será reduzido, e a precisão com a que os prefixos inválidos são identificados será aumentada.
Conclusão
Esta revisão de vários aspectos da Internet no Panamá revela que os esforços estão no caminho certo e quais são as áreas que ainda precisam de melhorias.
Para poder continuar medindo muitos desses aspectos, outras ferramentas são necessárias, como a implantação do RIPE Atlas no Panamá. Atualmente, a cobertura está geograficamente concentrada na Cidade de Panamá, e ainda existem grandes redes com pouca ou nenhuma cobertura.
Enquanto o RPKI é um ponto forte para o Panamá, o IPv6 é o ponto crítico que precisa de mais trabalho. No momento, está bem abaixo da média da América Central e da região do LACNIC.
Consideramos necessário trabalhar na adoção do IPv6 nas redes de acesso, permitindo que os usuários finais tenham IPv6 em modo nativo, de modo que a Internet do Panamá não fique para trás em relação a outros países da região.
LACNIC 45
Durante o evento, vamos contar com várias atividades relacionadas à segurança de roteamento e ao IPv6:
Destacamos também a sessão Redes de acesso no Panamá: o passo pendente para o IPv6 que vai acontecer na terça-feira 26 e propõe compreender por que o país permanece atrás da América Central e dos países vizinhos, bem como gerar um espaço de debate sobre os desafios e oportunidades para promover uma implementação mais ampla, estável e sustentável.
Para mais informações sobre a programação e a inscrição ao evento clique no seguinte link. https://lacnic45.lacnic.net/
As opiniões expressas pelos autores deste blog são próprias e não refletem necessariamente as opiniões de LACNIC.