Governança da Internet, um ano de fortes confrontações

1 de fevereiro de 2013

Por Ginger Paque

A governança da Internet (GI) terminou o ano de 2012 com sua lupa focada na Conferência Mundial de Telecomunicações Internacionais organizada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) em Dubai no mês de dezembro. Os debates tornaram-se dinâmicos, até mesmo agressivos, em uma nova polarização na gestão da Internet e os assuntos a tratar. Muitos falam de uma nova guerra fria , com um lado firmemente ancorado na soberania dos Estados, protegendo particularmente as questões de controle, segurança e cibersegurança, inclusive, as vezes, passando por cima dos direitos humanos. E um outro ponto de vista que apoia uma governança mais ampla, com a contribuição de múltiplos atores (multistakeholder), incluindo governos, a sociedade civil, a comunidade técnica/acadêmica, o setor privado, e a proteção dos direitos humanos como prioridade.

Mas as opiniões fortes não são novas para a Internet. Temos discutido ICANN vs. ITU durante anos. Continuam as discussões sobre os direitos de autor vs acesso/ fonte aberta. A neutralidade da rede continua a suscitar fortes confrontos. Este é um ambiente de energias fortes e não indica uma nova era do gelo . Muito pelo contrário, a quantidade de fóruns globais indica o dinamismo que está ganhando a governança da Internet como assunto nas agendas diplomáticas.

Para a América Latina, é fundamental uma maior representação nos assuntos da GI para o desenvolvimento econômico e social da nossa região. No ambiente econômico atual, é muito difícil conseguir a participação física em reuniões globais. Mas nem por isso devemos parar de participar plenamente.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Há três pontos significativos sobre a participação da América Latina nos processos globais.

1. As reuniões grandes e políticas não ocorrem durante os dias da reunião. Elas acontecem durante um longo período de planejamento e elaboração de documentos. Esse processo em geral acontece on-line, e por processos on-line como listas de discussão, relatórios escritos, discussões on-line como skype, correio eletrônico, e por colaboração em documentos com ferramentas como Google docs ou Etherpad de Mozilla. Essa participação está aberta.
2. A participação em reuniões regionais, como os Fóruns de Governança da Internet preparatórios e outras reuniões, tem uma grande importância para a região, talvez maior que os processos globais. Devemos aproveitar esses espaços. Além de tratar as questões de relevância regional mais diretamente, essas reuniões alimentam significativamente as reuniões globais.
3. A participação remota nas reuniões globais é muito diferente à participação in situ, mas se estivermos bem preparados, pode se tornar ainda mais produtiva do que o fato de comparecer em pessoa. Isso acontece verdadeiramente quando aproveitamos a formação de um núcleo local (as vezes chamado núcleo remoto ou remote hub, mas se pensamos bem, é um núcleo local, com participação local).

Com este panorama, nossa região deveria participar plenamente nas reuniões mais importantes sobre a Governança da Internet previstas para este ano (veja quadro).

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