Fazer em vez de ver: projeto para estimular a participação de mulheres em carreiras tecnológicas no Uruguai

8 de março de 2019

Fazer em vez de ver: projeto para estimular a participação de mulheres em carreiras tecnológicas no Uruguai
Desenhado por Freepik

Determinadas a tentar reverter uma tendência mundial quase inexorável, um grupo de professoras da Faculdade de Engenharia da Universidade da República do Uruguai decidiu criar um projeto para estimular uma maior participação das mulheres nas carreiras tecnológicas, particularmente naquelas relacionadas ao mundo das TICs.

A partir desse impulso nasceu o projeto Promovendo carreiras de TICs em adolescentes no Uruguai, um programa que tenta atrair um número maior de estudantes mulheres para as carreiras de computação e engenharia elétrica. 

Seu slogan, “fazer em vez de ver”, levou-as a criar experiências para que as adolescentes pudessem ter contato direto com os diferentes desafios tecnológicos, disse Andrea Delgado,  Professora assistente grau 4 do Instituto de Computação da Faculdade de Engenharia da Universidade da República e uma das responsáveis deste projeto, vencedor do Prêmio FRIDA 2018 na categoria Tecnologia e Gênero.

Qual tem sido a gênese do projeto Promovendo carreiras de TICs em estudantes do ensino médio no Uruguai?

(Acesso livre, não requer assinatura)

O projeto teve seu início em 2016 a partir da preocupação de diversos professores do Instituto de Computação pela baixa matrícula de estudantes mulheres na área científico-tecnológica, em especial a queda na matrícula de mulheres na carreira de Engenharia de Computação. Embora o ingresso de estudantes mulheres para a educação universitária exceda a dos homens (em nível de grau), a proporção de mulheres que escolhem engenharia é comparativamente minoritária, sendo preferidas as ciências sociais, saúde e humanidades. Esta lacuna agravou-se nos últimos anos, em que o ingresso de mulheres à carreira de Computação foi de cerca de 15%; e à Elétrica foi de cerca de 20% das inscrições. Isto é um fenômeno mundial que ocorreu tanto nos países europeus e norte-americanos, quanto na América Latina, motivo pelo qual várias universidades e organizações iniciaram diferentes ações destinadas a aumentar o interesse das mulheres jovens em carreiras nessa área.

Refletindo sobre o problema, as professoras do Instituto de Computação e do Instituto de Engenharia Elétrica decidimos realizar atividades específicas para mulheres adolescentes, aplicando a abordagem do “modelo de atuação” (somente professoras e estudantes avançadas ditam as oficinas) e sob o slogan “fazer em vez de ver”, de modo que pudessem ter contato direto com elementos e desafios da área, bem como ter contato com engenheiras da área.

Que atividades vocês realizaram para conseguir uma maior participação das adolescentes nas carreiras associadas às Tecnologias da Informação da Faculdade de Engenharia da Universidade da República do Uruguai?