IPv6: A experiência de Telecom

3 de fevereiro de 2011

Introdução

Quando fomos convidados para compartilhar com a comunidade como se está vivendo a transição de IPv4 para IPv6 na Telecom Argentina, nos trouxeram de volta as lembranças de como foi explicar “a grande Empresa” que esse recurso tão apreciado como são os endereços IPv4, estaria se esgotando.
Organizar os começos do IPv6 nos demonstrou que as comunidades IP não são apenas um assunto técnico. IPv6 é uma mudança sem eleição e sem volta atrás, que envolve tanto aos que administram as redes quanto ao resto da companhia.

Nos inícios, cada vez que o assunto “IPv6” era introduzido, recebíamos comentários como:
– Ainda há tempo…. falamos mais adiante.
– Como é que vão se esgotar os IPs!
– Tem certeza? Quando?

A data tem chegado e graças ao trabalho desenvolvido e aos planos em andamento, a Telecom Argentina está preparada para começar afrontar a transição para IPv6.

Telecom Argentina

Telecom Argentina S.A. é uma empresa prestadora de serviços de comunicações na Argentina e no Paraguai, que apresenta resultados consolidados até 30 de setembro de 2010 de 17.843.000 clientes móveis, 1.330.000 acessos de banda larga, 4.087.000 linhas telefônicas fixas e 18% de crescimento nas vendas líqüidas de serviços de voz, dados, Internet e telefonia móvel no último ano.
Segundo a estimativa de crescimento dos serviços de dados e Internet (móvel e fixo), em 2011 vai ser necessária a designação de 1.000.000 de novos endereços IP para abastecer os nossos clientes.

(Acesso livre, não requer assinatura)

Transição para IPv6

Antecedentes Históricos na Telecom:

Desde a atividade de inovação tecnológica que desenvolve a empresa, as projeções de esgotamento do pool de IPv4 começaram a ser analisadas no ano de 2005, momento a partir do qual foi adotado como objetivo requerer o cumprimento dos diferentes padrões que compõem IPv6 em todas as futuras concorrências de novo equipamento relacionados com serviços de acesso a Internet, desde o Backbone até os CPE corporativos. Essa decisão permitiu começar a contar com as ferramentas formais necessárias para começar um futuro desdobramento.
Para finais de 2007, começou o processo de desenvolvimento da engenharia, focado no backbone. Essa fase envolveu a análise detalhada das condições de suporte do IPv6 existentes na infra-estrutura, identificando as partes de hardware e de software que deviam ser substituídas por ficar obsoletas. Conseqüentemente, foi elaborado um plano de substituição para ser executado junto com o processo de ampliação de infra-estrutura necessária anual dos períodos seguintes. Desta forma, o investimento requerido foi absorvido de forma gradual pelo processo ordinário de crescimento.

Durante 2008 e 2009 foram executados os planos de capacidade que dotaram à rede do hardware e software necessário para suportar IPv6, entre outros “drivers”. Ao mesmo tempo, durante 2008 e 2009 também foram realizadas as provas de laboratório e a elaboração dos diferentes parâmetros de configuração a serem aplicados na rede através das engenharias elaboradas ad-hoc. Nesta etapa trabalhou-se em parceria com o provedor já que várias das funcionalidades necessárias encontravam-se em seu roadmap interno de desenvolvimento, ainda não liberadas para seu uso.
No último trimestre de 2009 começou a implementação na rede em produção da engenharia com as configurações lógicas previamente provadas, começando com o padrão RFC 4798 denominado “6PE” (IPv6 packets transported from PE to PE inside MPLS network) .
No segundo trimestre de 2010 foi atingido o grau de desdobramento e confiabilidade necessário diretamente em campo para conseguir o estado operativo de serviço regular no backbone. Para isso, foi fundamental o trabalho em conjunto com um cliente, RIU (Redes de Interconexão Universitária) e nosso upstream provider TIS (Seabone é o backbone internacional da Telecom Itália, propriedade e operado pela Telecom Italia Sparkle).
Nos finais de 2010, foram acabados em laboratório os ensaios de homologação sobre o padrão RFC 4659, denominado “6VPE” (IPv6 packets transported from PE to PE inside VPN-MPLS network) e está prevista a prova diretamente em campo e o desdobramento na rede no primeiro trimestre de 2011.

Gestão de endereços IPv4

Mesmo que a Telecom Argentina sempre tenha mantido seus processos de designações nos termos  das políticas do LACNIC, em 2008 e 2009 trabalhou em reorganizar as designações de todos os produtos que requeressem IPv4 para superar o esgotamento do pool de IPv4 e, visando incrementar a eficiência no uso dos espaços de endereços IPv4, foi definido um plano de adequação:

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