{"id":34234,"date":"2026-09-09T14:01:06","date_gmt":"2026-09-09T14:01:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.lacnic.net\/?p=34234"},"modified":"2026-09-09T14:04:20","modified_gmt":"2026-09-09T14:04:20","slug":"redes-autonomas-rumo-a-um-novo-modelo-operacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.lacnic.net\/pt-br\/redes-autonomas-rumo-a-um-novo-modelo-operacional\/","title":{"rendered":"Redes aut\u00f4nomas: rumo a um novo modelo operacional"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por <a href=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/pt-br\/autor\/hernan-arcidiacono\/\">Hern\u00e1n Arcidiacono<\/a>, Chief Technology Office da Iplan Argentina e membro do Comit\u00ea de Revis\u00e3o da IANA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando me perguntam o que \u00e9 uma rede aut\u00f4noma e em que ela se diferencia de uma rede tradicional automatizada, gosto de partir de uma defini\u00e7\u00e3o r\u00e1pida: a automa\u00e7\u00e3o se refere \u00e0 capacidade de executar, enquanto a autonomia se refere \u00e0 capacidade de decidir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma rede autom\u00e1tica simplesmente segue regras fixas e reage a eventos predefinidos. J\u00e1 uma rede aut\u00f4noma possui consci\u00eancia do seu pr\u00f3prio estado, de seus objetivos (inten\u00e7\u00f5es) e de seu ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sistemas automatizados, ao trabalharem com regras fixas, restringem o que efetivamente podem fazer, e hoje as redes t\u00eam uma complexidade tal que \u00e9 dif\u00edcil abordar sua gest\u00e3o a partir desse \u00e2ngulo. Por isso, surgem modelos aut\u00f4nomos capazes de se autorregular sem depender de regras e par\u00e2metros est\u00e1ticos predefinidos e dif\u00edceis de gerenciar pelos seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que agora?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A complexidade \u00e9 um dos aspectos centrais que explicam por que o conceito de redes aut\u00f4nomas est\u00e1 ganhando tanto impulso neste momento entre os grandes operadores. Elas ajudam a viabilizar as complexidades t\u00e9cnicas e operacionais do 5G e da IoT; de outra forma, aspectos dessas tecnologias n\u00e3o seriam poss\u00edveis de gerenciar. Por outro lado, de modo geral, a ind\u00fastria precisa crescer incorporando novos servi\u00e7os e, ao mesmo tempo, melhorar a efici\u00eancia operacional, e o framework de redes aut\u00f4nomas contempla ambos os objetivos simultaneamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem se beneficia?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Visto de uma perspectiva mais ampla, o ecossistema de usu\u00e1rios, operadoras e novos parceiros. Indo mais ao concreto, a princ\u00edpio poder\u00edamos pensar que os benefici\u00e1rios s\u00e3o as grandes operadoras. Mas, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o existe tal exclusividade. Os ISPs m\u00e9dios e pequenos devem considerar os potenciais benef\u00edcios de se aprofundar no tema, e tamb\u00e9m os riscos de n\u00e3o faz\u00ea-lo. Abord\u00e1-lo no in\u00edcio parece dif\u00edcil, mas, na escala adequada e atendendo a necessidades genu\u00ednas, acredito que \u00e9 fundamental come\u00e7ar. Quando as grandes operadoras tiverem recursos adquiridos por meio de redes aut\u00f4nomas, contar\u00e3o com uma vantagem competitiva n\u00e3o apenas em custos, mas tamb\u00e9m na experi\u00eancia oferecida aos seus usu\u00e1rios, e isso deixar\u00e1 as m\u00e9dios e pequenas operadoras em condi\u00e7\u00f5es desiguais para competir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A partir da gest\u00e3o da infraestrutura<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da perspectiva da gest\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o da infraestrutura, devo dizer, em primeiro lugar, que o conceito de redes aut\u00f4nomas do TM Forum, a meu ver, deveria ser chamado de \u201cTelco Aut\u00f4noma\u201d, porque o termo \u201credes\u201d parece restringir o framework apenas aos aspectos t\u00e9cnicos, quando, na realidade, ele se aplica a todos os n\u00edveis da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, a arquitetura define um modelo de tr\u00eas camadas: a camada de recursos, ou seja, a camada mais t\u00e9cnica, e as camadas de servi\u00e7os e de neg\u00f3cios. Por isso, adotar o conceito de redes aut\u00f4nomas significa, na realidade, percorrer o caminho de transforma\u00e7\u00e3o de todo o modelo operacional da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dito isso, \u00e9 razo\u00e1vel come\u00e7ar a construir a partir da camada de recursos e, depois, ir avan\u00e7ando. O simples fato de come\u00e7ar a trabalhar sobre o que o TM Forum define como um \u201cdom\u00ednio aut\u00f4nomo\u201d \u2014 por exemplo, a rede de acesso ou o dom\u00ednio IP \u2014 implica planejar melhor o uso dos recursos, sua disponibilidade e, inclusive, agilizar a entrega de servi\u00e7os ou as altera\u00e7\u00f5es nesses servi\u00e7os. S\u00e3o benef\u00edcios tang\u00edveis que come\u00e7am a ser percebidos desde cedo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O dia a dia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a no trabalho di\u00e1rio \u00e9 gradual, mas, antes de descrev\u00ea-la, \u00e9 necess\u00e1rio introduzir dois conceitos que ajudam a entender melhor do que estamos falando. O&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; TM Forum define em seu framework dois elementos. Por um lado, diferentes n\u00edveis de autonomia, desde L0 (uma opera\u00e7\u00e3o totalmente manual) at\u00e9 L5 (uma opera\u00e7\u00e3o totalmente aut\u00f4noma, algo, por enquanto, mais hipot\u00e9tico do que alcan\u00e7\u00e1vel). Por outro lado, define o que \u00e9 chamado de closed-loop, conhecido pelas siglas AADE (tamb\u00e9m IAADE), que, sem entrar em detalhes, representa as diferentes etapas dos processos necess\u00e1rias para qualquer opera\u00e7\u00e3o: coletar informa\u00e7\u00f5es, analis\u00e1-las e sugerir um caminho a seguir, tomar uma decis\u00e3o, execut\u00e1-la e, finalmente, revisar seus efeitos. Quando medimos o n\u00edvel de autonomia, basicamente avaliamos se cada uma das partes desse processo \u00e9 realizada por um ser humano ou por um sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, para responder como o trabalho di\u00e1rio muda: isso depende do grau de avan\u00e7o. O ser humano vai se afastando gradualmente de determinadas fun\u00e7\u00f5es desse loop e passa a ocupar outros espa\u00e7os. Deixamos de participar diretamente da execu\u00e7\u00e3o das tarefas para assumir a supervis\u00e3o e a opera\u00e7\u00e3o dos processos que tornamos aut\u00f4nomos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O impulso da IA generativa e seus desafios<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>O conceito de redes aut\u00f4nomas \u00e9 anterior \u00e0 IA generativa. No entanto, a IA generativa e, agora, o conceito de agentifica\u00e7\u00e3o d\u00e3o um impulso fundamental ao modelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a tecnologia esteja hoje dispon\u00edvel para avan\u00e7armos na transforma\u00e7\u00e3o da forma como operamos nossas redes, ainda existem desafios de todos os tipos. Alguns s\u00e3o semelhantes aos que outras ind\u00fastrias j\u00e1 enfrentam na busca por aprimorar o atendimento aos clientes ou implementar modelos de vendas. Aqui, por\u00e9m, somam-se fatores adicionais devido ao tipo de recursos que estamos gerenciando: a rede e as plataformas que prestam servi\u00e7os a milhares ou at\u00e9 a milh\u00f5es de usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha opini\u00e3o, \u00e9 conveniente que, em uma etapa inicial, sejam trabalhadas todas as etapas do closed-loop descrito anteriormente, exceto a tomada de decis\u00f5es, na qual considero que o conceito de Human in the Loop deve ser mantido at\u00e9 que se alcance plena confian\u00e7a no caso de uso implementado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A implementa\u00e7\u00e3o deve ser gradual, \u201co elefante se come aos poucos\u201d. Recomendo concentrar-se em um dom\u00ednio aut\u00f4nomo (leia-se tecnologia) e em um processo operacional espec\u00edfico (como fault management), que juntos formam o que o TM Forum define como um objeto, e percorrer cada subcen\u00e1rio passo a passo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio, teremos processos h\u00edbridos. Deixar de executar tarefas para passar a supervisionar exclusivamente os processos vai levar tempo, mas esse \u00e9 o caminho para a mudan\u00e7a do modelo operacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Primeiros passos para operadoras e ISPs<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>O primeiro passo \u00e9 adotar o conceito, porque isso resulta em uma forma diferente de abordar as quest\u00f5es. Com base em seu DNA, cada empresa pode precisar de uma abordagem de impulso Top-Down ou Bottom-Up. Se for uma organiza\u00e7\u00e3o grande, provavelmente precisar\u00e1 de um processo que venha da alta gest\u00e3o (top management); mas, em organiza\u00e7\u00f5es menores, considero vi\u00e1vel uma abordagem Bottom-Up, na qual as \u00e1reas t\u00e9cnicas deixam de buscar automa\u00e7\u00f5es que, de qualquer forma, j\u00e1 fariam, e come\u00e7am a pensar dentro de um novo modelo. O trabalho em termos de esfor\u00e7o \u00e9 semelhante; o que muda \u00e9 a abordagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como descrito acima, \u00e9 preciso selecionar um objeto e concentrar-se nele. \u00c9 importante tamb\u00e9m entender que a constru\u00e7\u00e3o \u00e9 multidisciplinar. N\u00e3o se trata de as \u00e1reas de Engenharia ou Sistemas definirem para a \u00e1rea de Opera\u00e7\u00f5es o que fazer, mas de grupos que discutem como abordar os temas, com perspectivas que inicialmente podem ser diferentes, mas que s\u00e3o enriquecedoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro caso apresenta desafios por todos os lados, mas o principal \u00e9 pensar de uma maneira diferente e conseguir que todos participem. O que tenho observado ao longo do tempo \u00e9 que essa barreira vai diminuindo e, ent\u00e3o, passamos a nos ocupar dos desafios mais tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para conhecer de perto como dar esse passo rumo \u00e0s redes aut\u00f4nomas e transformar a gest\u00e3o da infraestrutura, esperamos voc\u00eas no pr\u00f3ximo evento do LACNIC, em Mendoza, no painel &#8220;<a href=\"https:\/\/lacnic46.lacnic.net\/pt-br\/programa\/agenda\/redes-autonomas-automacao-para-operar-com-mais-agilidade\">Redes aut\u00f4nomas:automa\u00e7\u00e3o para operar com maior agilidade<\/a>&#8220;. L\u00e1, meus colegas apresentar\u00e3o casos reais, estrat\u00e9gias de implementa\u00e7\u00e3o gradual e os principais pontos para construir redes mais eficientes, escal\u00e1veis e preparadas para os desafios da regi\u00e3o. <a href=\"https:\/\/lacnic46.lacnic.net\/pt-br\/inscricao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inscreva-se aqui.<\/a> Esperamos voc\u00eas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Hern\u00e1n Arcidiacono, Chief Technology Office da Iplan Argentina e membro do Comit\u00ea de Revis\u00e3o da IANA Quando me perguntam o que \u00e9 uma rede aut\u00f4noma e em que ela se diferencia de uma rede tradicional automatizada, gosto de partir de uma defini\u00e7\u00e3o r\u00e1pida: a automa\u00e7\u00e3o se refere \u00e0 capacidade de executar, enquanto a autonomia 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