{"id":32731,"date":"2026-02-23T19:27:13","date_gmt":"2026-02-23T19:27:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.lacnic.net\/?p=32731"},"modified":"2026-02-23T20:26:00","modified_gmt":"2026-02-23T20:26:00","slug":"analise-comparativa-do-mercado-de-peering","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.lacnic.net\/pt-br\/analise-comparativa-do-mercado-de-peering\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise comparativa do mercado de peering"},"content":{"rendered":"\n<p>Escrito por John Souter, <em>Assessor da Namex e Flavio Luciani CTO da Namex<\/em> <em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tend<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncias, transforma<\/em><em>\u00e7\u00f5<\/em><em>es e din<\/em><em>\u00e2<\/em><em>micas regionais da interconex<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o <\/em><em>\u00e0<\/em><em> Internet<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resumo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, o cen\u00e1rio de interconex\u00e3o da Internet foi moldado pelo crescimento cont\u00ednuo do tr\u00e1fego, pela mudan\u00e7a nos modelos de distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e pelas rela\u00e7\u00f5es cada vez mais complexas entre as redes. Os pontos de troca de tr\u00e1fego (IXP) est\u00e3o no centro dessa din\u00e2mica, mas sua evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente interpretada por meio de m\u00e9tricas simplificadas que n\u00e3o refletem com precis\u00e3o como o ecossistema de peering est\u00e1 realmente mudando.<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado de peering n\u00e3o est\u00e1 em decl\u00ednio, est\u00e1 em transforma\u00e7\u00e3o. O tr\u00e1fego global da Internet continua crescendo sem parar, mas as m\u00e9tricas tradicionais, como o n\u00famero de membros dos IXP e os valores de capacidade divulgados, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para explicar as for\u00e7as que est\u00e3o remodelando a interconex\u00e3o. Este trabalho apresenta uma an\u00e1lise baseada na experi\u00eancia sobre como os IXP est\u00e3o evoluindo em todo o mundo, analisando as tend\u00eancias de longo prazo na Europa, Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica, \u00c1sia-Pac\u00edfico e Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando dados de <em>peeringDB<\/em> e de <em>Pulse IXP Tracker<\/em> da ISOC e interpretando-os atrav\u00e9s de d\u00e9cadas de envolvimento pr\u00e1tico no projeto e opera\u00e7\u00e3o de ecossistemas de peering, o trabalho mostra que as desacelera\u00e7\u00f5es observadas em IXP grandes e consolidados n\u00e3o s\u00e3o an\u00f4malas nem motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. Em vez disso, refletem uma mudan\u00e7a estrutural: o tr\u00e1fego est\u00e1 se concentrando mais, estrat\u00e9gias de interconex\u00e3o mais seletivas e modelos alternativos, como interconex\u00f5es de redes privadas (PNI), o armazenamento em cache na rede e as arquiteturas orientadas \u00e0 borda complementam cada vez mais o peering p\u00fablico, em vez de substitui-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise identifica os fatores que realmente determinam o sucesso e a sustentabilidade dos IXP: a liberaliza\u00e7\u00e3o do mercado das telecomunica\u00e7\u00f5es, a demanda por conte\u00fado local, a escala populacional, os ecossistemas de centros de dados e a pol\u00edtica nacional em mat\u00e9ria de infraestrutura. O crescimento nos mercados emergentes permanece forte, enquanto os principais centros hist\u00f3ricos est\u00e3o se transformando em plataformas de interconex\u00e3o complexas, atendendo a uma gama muito mais ampla de participantes do que os ISP e redes de conte\u00fado tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de estarem obsoletos, os IXP est\u00e3o se tornando ativos estrat\u00e9gicos para a resili\u00eancia digital, a soberania de dados e a conectividade nacional. Seu valor futuro n\u00e3o ser\u00e1 medido apenas em terabits por segundo, mas em sua capacidade de manter o tr\u00e1fego local, suportar servi\u00e7os cr\u00edticos, absorver picos extremos de tr\u00e1fego e permitir aplica\u00e7\u00f5es de lat\u00eancia ultrabaixa na borda. Em um ambiente geopol\u00edtico e tecnol\u00f3gico cada vez mais inst\u00e1vel, este trabalho argumenta que o peering, e os IXP que o possibilitam, continuam sendo a pedra angular de uma Internet robusta, descentralizada e resiliente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes nos vemos escrevendo artigos sobre os IXP, partilhando a nossa experi\u00eancia e o que aprendemos depois de trabalhar neste ecossistema durante mais de vinte anos. Ao mesmo tempo, ouvimos com frequ\u00eancia outras pessoas que n\u00e3o trabalham diretamente em um IXP expressando suas opini\u00f5es sobre como os IXP deveriam ser hoje e para onde est\u00e3o se dirigindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, temos observado ao longo do tempo diversas apresenta\u00e7\u00f5es em que s\u00e3o colocados argumentos semelhantes. Esses dados sugerem que, nos \u00faltimos doze meses, os IXP n\u00e3o apresentaram crescimento significativo e que grande parte do aumento do tr\u00e1fego e da interconex\u00e3o agora est\u00e1 ocorrendo fora dos IXP. Segundo esta perspectiva, uma propor\u00e7\u00e3o crescente do tr\u00e1fego j\u00e1 n\u00e3o flui atrav\u00e9s dos pontos de troca tradicionais. Tamb\u00e9m se argumenta frequentemente que, para algumas redes, o peering est\u00e1 se tornando mais caro do que o tr\u00e2nsito, desafiando uma suposi\u00e7\u00e3o de longa data. Al\u00e9m disso, essas apresenta\u00e7\u00f5es destacam uma r\u00e1pida migra\u00e7\u00e3o para portas de 100GE, \u00e0 medida que o 100G substitui o 10G, juntamente com um forte aumento no uso de interconex\u00f5es de redes privadas em vez de peering p\u00fablico nos IXP. Finalmente, afirmam que muitas conex\u00f5es de peering &#8220;tradicionais&#8221; n\u00e3o est\u00e3o mais sendo estabelecidas e que, em alguns casos, as principais redes est\u00e3o at\u00e9 mesmo abandonando os IXP em favor de alternativas como tr\u00e2nsito ou interconex\u00e3o privada.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo desta contribui\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, compartilhar algumas reflex\u00f5es sobre o mercado do peering e sua evolu\u00e7\u00e3o ao longo dos anos, com foco particular no per\u00edodo mais recente.<\/p>\n\n\n\n<p>As perguntas que nos fizemos giram essencialmente em torno de alguns pontos principais: como o tr\u00e1fego evoluiu ao longo dos anos, o que est\u00e1 acontecendo hoje e como poder\u00e3o ser as tend\u00eancias futuras no crescimento do peering. J\u00e1 tivemos a oportunidade de abordar este tema em artigos anteriores (ver: https:<a href=\"https:\/\/labs.ripe.net\/author\/flavio_luciani_1\/\">\/\/labs.ripe.net\/author\/flavio_luciani_1\/<\/a>), mas agora gostar\u00edamos de analisar a situa\u00e7\u00e3o internacional com&nbsp; mais detalhe, focando-nos n\u00e3o apenas na Europa, mas tamb\u00e9m no resto do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem diversas fontes de onde os dados podem ser extra\u00eddos. Usaremos as an\u00e1lises gr\u00e1ficas fornecidas por Pulse IXP Tracker da ISOC (consulte <a href=\"https:\/\/pulse.internetsociety.org\/en\/ixp-tracker\/\">https:\/\/pulse.internetsociety.org\/es\/ixp-tracker\/<\/a>), uma vez que apresentam as informa\u00e7\u00f5es bem estruturadas, s\u00e3o f\u00e1ceis de consultar e baseadas no conjunto de dados de PeeringDB (em termos de capacidade e afilia\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar que o PeeringDB, por mais valioso que ele seja, consiste em dados gerados pelos usu\u00e1rios. Em particular, depende de funcion\u00e1rios-chave dentro das operadoras de rede para manter os dados atualizados ap\u00f3s sua inclus\u00e3o inicial no banco de dados. Consequentemente, \u00e0s vezes pode haver certa defasagem na atualiza\u00e7\u00e3o dos dados, em compara\u00e7\u00e3o com as medi\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas de itens como os dados de tr\u00e1fego, que podem ser coletados da fonte por meio de API ou <em>screen scraping<\/em>. Portanto, as compara\u00e7\u00f5es entre os dados de PeeringDB e os dados de tr\u00e1fego, principalmente quando h\u00e1 mudan\u00e7as significativas, devem, ser tratadas com cautela.<\/p>\n\n\n\n<p>Adotando uma perspectiva global, \u00e0 primeira vista parece evidente que a capacidade designada aos IXP cresceu ao longo dos anos a um ritmo not\u00e1vel. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m observamos um crescimento no n\u00famero de redes que aderiram aos IXP ao longo dos anos, levando em considera\u00e7\u00e3o os mais de mil IXP registrados no PeeringDB no mundo todo. Embora tenha sido observada uma ligeira diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de AS presentes nos IXP recentemente, ainda que a um ritmo mais lento, a capacidade continuou aumentando ao longo do \u00faltimo ano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"748\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig1-ixp-capacity-growth-worldwide-1024x748.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32620\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig1-ixp-capacity-growth-worldwide-1024x748.jpg 1024w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig1-ixp-capacity-growth-worldwide-300x219.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig1-ixp-capacity-growth-worldwide-452x330.jpg 452w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig1-ixp-capacity-growth-worldwide-768x561.jpg 768w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig1-ixp-capacity-growth-worldwide.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"803\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig2-crecimiento-del-numer-del-ixp-en-todo-el-mundo-1024x803.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32623\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig2-crecimiento-del-numer-del-ixp-en-todo-el-mundo-1024x803.jpg 1024w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig2-crecimiento-del-numer-del-ixp-en-todo-el-mundo-300x235.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig2-crecimiento-del-numer-del-ixp-en-todo-el-mundo-421x330.jpg 421w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig2-crecimiento-del-numer-del-ixp-en-todo-el-mundo-768x602.jpg 768w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig2-crecimiento-del-numer-del-ixp-en-todo-el-mundo.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Crescimento geral do tr\u00e1fego e do n\u00famero de membros (b) Crescimento do n\u00famero de IXP em todo o mundo<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise dos dados de peering p\u00fablico traz \u00e0 tona toda a quest\u00e3o da estrat\u00e9gia de peering das redes de acesso e de conte\u00fado. Em geral, suas pol\u00edticas costumam estar determinadas por dois fatores: seu tamanho e a natureza de seu tr\u00e1fego.<\/p>\n\n\n\n<p>As redes maiores tendem a priorizar formas mais sofisticadas de interconex\u00e3o, como o armazenamento em cach\u00ea na pr\u00f3pria rede e as interconex\u00f5es privadas (PNI), principalmente no caso das redes dos grandes provedores de conte\u00fado. Para alguns tipos de tr\u00e1fego, o armazenamento em cach\u00ea na pr\u00f3pria rede \u00e9 pouco pr\u00e1tico, inadequado ou indesej\u00e1vel, o que nos deixa com as PNI como o mecanismo de maior prioridade, antes ou juntamente com a considera\u00e7\u00e3o do peering p\u00fablico. Muitas redes que usam PNI ter\u00e3o valores limite que precisam ser atendidos para que a economia das PNI realmente funcione, mas isso poderia ter o efeito colateral de desviar tr\u00e1fego do peering p\u00fablico, se isso j\u00e1 foi estabelecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, Namex e LINX s\u00e3o um tanto incomuns no mundo dos IXP, pois facilitam a cria\u00e7\u00e3o de PNI para seus membros. Isso se deve ao fato de serem organiza\u00e7\u00f5es de membros, e, portanto, estarem focadas principalmente nas necessidades de seus membros, impulsados por uma compreens\u00e3o da estrat\u00e9gia de peering e da hierarquia das diferentes necessidades. Ambas as organiza\u00e7\u00f5es sabem (gra\u00e7as \u00e0s informa\u00e7\u00f5es privadas obtidas diretamente de seus membros) que o tr\u00e1fego total que passa pelas PNI \u00e9 muito maior do que o tr\u00e1fego em suas redes de peering p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, nada disso diminui a import\u00e2ncia do peering p\u00fablico. O peering p\u00fablico \u00e9 usado por um espectro muito mais amplo de redes do que as PNI, portanto, seu alcance e utilidade n\u00e3o s\u00e3o de forma alguma prejudicados pelo fato de existirem outros mecanismos de peering.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>2. Metodologia: crit\u00e9rios para a sele\u00e7\u00e3o de pa\u00edses<\/h1>\n\n\n\n<p>Para realizar uma an\u00e1lise significativa e representativa do panorama global de peering, cada pa\u00eds poderia ser examinado de forma individual. No entanto, uma abordagem mais eficaz \u00e9 concentrar-se num subconjunto de pa\u00edses que cumpram os seguintes crit\u00e9rios:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Presen\u00e7a de IXP:<\/strong> o pa\u00eds deve hospedar um ou mais pontos de troca da Internet.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Robustez dos IXP:<\/strong> os IXP existentes devem ser, no m\u00ednimo, de tamanho m\u00e9dio e est\u00e1veis, garantindo que desempenham um papel significativo na interconex\u00e3o local.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mercado de peering estabelecido:<\/strong> deve haver um ecossistema de peering suficientemente desenvolvido, com participa\u00e7\u00e3o ativa de redes e provedores de conte\u00fado.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Representatividade continental:<\/strong> para proporcionar uma perspectiva global, os pa\u00edses selecionados devem representar coletivamente todos os continentes.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Disponibilidade de dados confi\u00e1veis:<\/strong> somente s\u00e3o inclu\u00eddos pa\u00edses em que os dados do PeeringDB e Pulse IXP Tracker de ISOC est\u00e3o completos e atualizados.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Relev\u00e2ncia do tr\u00e1fego:<\/strong> prioridade \u00e9 dada aos pa\u00edses cujos IXP representam uma parte substancial do tr\u00e1fego regional (por exemplo, aqueles com os principais IXP em termos de taxa de transfer\u00eancia m\u00e1xima).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Din\u00e2mica de crescimento:<\/strong> sempre que poss\u00edvel, a sele\u00e7\u00e3o inclui mercados maduros e emergentes, a fim de ilustrar n\u00e3o apenas o estado atual, mas tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o do peering no n\u00edvel mundial.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o:<\/strong> um dos crit\u00e9rios claros para o estabelecimento e o sucesso dos IXP \u00e9 atender, por meio das redes dos provedores de acesso conectados, um n\u00famero significativo de usu\u00e1rios residenciais e empresariais (frequentemente chamados de \u201ceyeballs\u201d ou &#8220;olhos&#8221;). Sem essa base de usu\u00e1rios, o tr\u00e1fego de conte\u00fado n\u00e3o tem onde ir. Por tanto, o n\u00famero de \u201colhos\u201d representados em um IXP ter\u00e1 um impacto nas medi\u00e7\u00f5es apresentadas neste relat\u00f3rio, e os IXP mais estabelecidos (com milh\u00f5es de \u201colhos\u201d conectados) ser\u00e3o quase certamente menos propensos a picos e vales exagerados.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Com base nesses crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o, identificaremos v\u00e1rios pa\u00edses e IXP para cada continente. Vamos analis\u00e1-los em detalhe.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. An\u00e1lise das diferentes regi\u00f5es do mundo<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">3.1 Am\u00e9rica Latina e o Caribe<\/h3>\n\n\n\n<p>Para a regi\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, esta an\u00e1lise concentra-se principalmente na Argentina, Chile e Brasil. Come\u00e7ando pela Argentina, tanto a capacidade quanto o n\u00famero de redes conectadas aos IXP parecem seguir a mesma tend\u00eancia observada globalmente, conforme mostrado na se\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"662\" height=\"528\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig3-argentina.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32626\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig3-argentina.jpg 662w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig3-argentina-300x239.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig3-argentina-414x330.jpg 414w\" sizes=\"(max-width: 662px) 100vw, 662px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 2: Argentina<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se uma ligeira diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de AS, mas a capacidade mostra uma clara tend\u00eancia de crescimento. Segundo a Pulse, existem quatro IXP operando no pa\u00eds, sendo que a CABASE Argentina lida com a maior parte do tr\u00e1fego. A plataforma conta com mais de 500 membros ativos e atualmente registra um pico de volume de tr\u00e1fego bem acima de 4 Tbps. Embora per\u00edodos de crescimento e decl\u00ednio se alternem ao longo do tempo, o panorama geral mostra uma clara tend\u00eancia positiva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"608\" height=\"480\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig4-ixp-cabase.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32629\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig4-ixp-cabase.jpg 608w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig4-ixp-cabase-300x237.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig4-ixp-cabase-418x330.jpg 418w\" sizes=\"(max-width: 608px) 100vw, 608px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 3: IXP CABASE<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"694\" height=\"260\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig5-grafica-anual-correspondiente-a-cabase.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32632\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig5-grafica-anual-correspondiente-a-cabase.jpg 694w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig5-grafica-anual-correspondiente-a-cabase-300x112.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig5-grafica-anual-correspondiente-a-cabase-680x255.jpg 680w\" sizes=\"(max-width: 694px) 100vw, 694px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 4: Gr\u00e1fico anual da CABASE<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile, houve uma queda not\u00e1vel no \u00faltimo ano. A capacidade se est\u00e1 recuperando, enquanto o n\u00famero de redes conectadas aos IXP se manteve relativamente est\u00e1vel, sugerindo a exist\u00eancia de um n\u00facleo resiliente de participantes apesar das flutua\u00e7\u00f5es de curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"656\" height=\"524\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig6-chile.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32635\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig6-chile.jpg 656w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig6-chile-300x240.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig6-chile-413x330.jpg 413w\" sizes=\"(max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 5: Chile<\/p>\n\n\n\n<p>Essa observa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda corroborada pelo gr\u00e1fico da PIT Chile Santiago (mais de 12 Tbps de tr\u00e1fego trocado), apresentado abaixo. O Chile tem uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 20 milh\u00f5es de pessoas, portanto, esses n\u00fameros de tr\u00e1fego s\u00e3o bastante elevados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Como refer\u00eancia, \u00e9 v\u00e1rias vezes superior ao dos IXP correspondentes na It\u00e1lia e no Reino Unido. Os picos transit\u00f3rios no gr\u00e1fico anual abaixo s\u00e3o provavelmente resultado de erros de medi\u00e7\u00e3o\/relat\u00f3rio, conforme indicado pela sua aus\u00eancia nos resumos dentro do gr\u00e1fico. Uma curiosidade que merece uma an\u00e1lise mais detalhada?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"668\" height=\"528\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig7-pit-chile.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32638\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig7-pit-chile.jpg 668w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig7-pit-chile-300x237.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig7-pit-chile-418x330.jpg 418w\" sizes=\"(max-width: 668px) 100vw, 668px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 6: PIT Chile<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"436\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig8-trafico-en-pit-chile.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32641\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig8-trafico-en-pit-chile.jpg 750w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig8-trafico-en-pit-chile-300x174.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig8-trafico-en-pit-chile-568x330.jpg 568w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 7: Tr\u00e1fego no PIT Chile<\/p>\n\n\n\n<p>Agora vamos analisar o caso do Brasil, que possui o maior IXP do mundo, o IX.br. Vamos primeiro conferir os dados do pa\u00eds:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"684\" height=\"540\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig9-brasil.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32644\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig9-brasil.jpg 684w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig9-brasil-300x237.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig9-brasil-418x330.jpg 418w\" sizes=\"(max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 8: Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, parece haver uma queda muito mais acentuada em compara\u00e7\u00e3o com a Argentina e o Chile, tanto em termos de capacidade quanto de rela\u00e7\u00f5es de peering. Esses n\u00fameros se confirmam mesmo quando consideramos apenas o IX.br em S\u00e3o Paulo, que tem mais de 1700 membros e picos de tr\u00e1fego de peering que ultrapassam 40 Tbps!<\/p>\n\n\n\n<p>Entramos em contato com o IX.br para descobrir por que houve um aparente decl\u00ednio no n\u00famero de membros, e eles responderam o seguinte: &#8220;<em>Estamos aprimorando nossa base de usu\u00e1rios, removendo os usu\u00e1rios inativos que monopolizavam os recursos de numera\u00e7\u00e3o.<\/em><em> Do outro lado, vimos novos usu\u00e1rios que se incorporam, consumem mais largura de banda e substituem os ASN que saem. No entanto, o resultado final \u00e9 uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de ASN e um aumento no consumo de largura de banda\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O gr\u00e1fico a seguir mostra o n\u00famero de ASN e a capacidade\/n\u00famero de membros segundo seus dados internos:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"756\" height=\"224\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig10-asns-alocados-x-asns-participantes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32647\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig10-asns-alocados-x-asns-participantes.jpg 756w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig10-asns-alocados-x-asns-participantes-300x89.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig10-asns-alocados-x-asns-participantes-680x201.jpg 680w\" sizes=\"(max-width: 756px) 100vw, 756px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 9<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"684\" height=\"540\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig11-ixp-br-san-pablo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32650\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig11-ixp-br-san-pablo.jpg 684w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig11-ixp-br-san-pablo-300x237.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig11-ixp-br-san-pablo-418x330.jpg 418w\" sizes=\"(max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 10: IX.br San Pablo<\/p>\n\n\n\n<p>Como mostra o seguinte gr\u00e1fico de tr\u00e1fego correspondente ao \u00faltimo ano, n\u00e3o se identifica uma tend\u00eancia clara de crescimento. No entanto, quando analisamos o panorama geral, de 2019 at\u00e9 hoje (decenal), fica evidente o crescimento significativo que o peering experimentou e continua experimentando ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"704\" height=\"260\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig12-grafico-anual-correspondiente-a-ix-br.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32653\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig12-grafico-anual-correspondiente-a-ix-br.jpg 704w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig12-grafico-anual-correspondiente-a-ix-br-300x111.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig12-grafico-anual-correspondiente-a-ix-br-680x251.jpg 680w\" sizes=\"(max-width: 704px) 100vw, 704px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 11: Gr\u00e1fico anual do IX.br<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"716\" height=\"264\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig13-grafico-decenal-correspondiente-a-ix-br.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32659\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig13-grafico-decenal-correspondiente-a-ix-br.jpg 716w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig13-grafico-decenal-correspondiente-a-ix-br-300x111.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig13-grafico-decenal-correspondiente-a-ix-br-680x251.jpg 680w\" sizes=\"(max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Figura 12: Gr\u00e1fico decenal do IX.br<\/p>\n\n\n\n<p>O IX.br \u00e9 um fen\u00f4meno not\u00e1vel no mundo dos IXP. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o maior IXP em termos do n\u00famero de ASN conectados (mais de 2800) e da quantidade de tr\u00e1fego pico (cerca de 45 Tbps no total em todas suas localiza\u00e7\u00f5es), mas tamb\u00e9m no n\u00famero de localiza\u00e7\u00f5es que operam no Brasil, que hoje s\u00e3o 39.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem outros IXP no Brasil (por exemplo, os operados pela Equinix em seus centros de dados). N\u00e3o obstante isso, \u00e9 justo dizer que este IXP gigantesco domina o Brasil e tamb\u00e9m ofusca os outros operadores de troca de tr\u00e1fego na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Como explicamos esse fen\u00f4meno?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, devido \u00e0 pr\u00f3pria natureza do Brasil: o s\u00e9timo maior em popula\u00e7\u00e3o (bem mais de 210 milh\u00f5es) e o sexto maior em tamanho f\u00edsico (o que traz diversos desafios para a constru\u00e7\u00e3o de IXP). Tamb\u00e9m pelo fato de o Brasil ser o \u00fanico pa\u00eds de fala portuguesa na Am\u00e9rica do Sul. Este \u00faltimo aspecto significa que grande parte do tr\u00e1fego da Internet permanecer\u00e1 no Brasil, em vez de ser roteado de e para pa\u00edses vizinhos. Al\u00e9m disso, o tamanho enorme de sua popula\u00e7\u00e3o, aliado ao seu n\u00edvel relativamente alto de alfabetiza\u00e7\u00e3o digital (em termos globais), significa que haver\u00e1 muito tr\u00e1fego! Se a isso somamos a complexidade j\u00e1 mencionada de construir um IXP em um pa\u00eds fisicamente extenso e com caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas e f\u00edsicas muito diversas, a constru\u00e7\u00e3o do IX.br se torna uma conquista extraordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, o IX.br se beneficiou enormemente por ser impulsionado e hospedado pelo NIC.BR, o registro nacional da Internet. Isso trouxe benef\u00edcios econ\u00f4micos e organizacionais significativos, e acreditamos ser justo dizer que teria sido praticamente imposs\u00edvel alcan\u00e7ar o que foi alcan\u00e7ado sem esse apoio. Citando diretamente do site do IX.br:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Uma das principais vantagens deste modelo \u00e9 a racionaliza\u00e7\u00e3o dos custos, uma vez que os balan\u00e7os de tr\u00e1fego s\u00e3o resolvidos de forma direta e local, e n\u00e3o atrav\u00e9s de redes de terceiros, muitas vezes fisicamente distantes.<ul><li>Outra grande vantagem \u00e9 o maior controle que uma rede pode ter sobre a entrega do seu tr\u00e1fego o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do seu destino, o que geralmente resulta em melhor desempenho e qualidade para seus clientes e em uma opera\u00e7\u00e3o mais eficiente da Internet como um todo.<\/li><\/ul>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O IX.br \u00e9, portanto, uma interconex\u00e3o em pontos de interconex\u00e3o de rede da \u00e1rea metropolitana (pixels), comerciais e acad\u00eamicos, sob gerenciamento centralizado.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Outros IXP na Am\u00e9rica Latina<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao analisar alguns dos IXP menores da regi\u00e3o, o crescimento \u00e9 claramente tang\u00edvel. Em ecossistemas onde existe uma necessidade de troca de tr\u00e1fego local e o IXP ainda \u00e9 recente, existe um espa\u00e7o consider\u00e1vel para crescimento, tanto no n\u00famero de AS conectados quanto no volume de capacidade. Por exemplo, o M\u00e9xico com 7 IXP, a Bol\u00edvia com 2, a Col\u00f4mbia com 7 e o Peru com 10. Nestes casos, o crescimento \u00e9 vis\u00edvel e n\u00e3o h\u00e1 queda nos gr\u00e1ficos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"556\" height=\"444\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-mexico-peering.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32662\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-mexico-peering.jpg 556w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-mexico-peering-300x240.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-mexico-peering-413x330.jpg 413w\" sizes=\"(max-width: 556px) 100vw, 556px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(a) M\u00e9xico&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"528\" height=\"408\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-bolivia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32656\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-bolivia.jpg 528w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-bolivia-300x232.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-bolivia-427x330.jpg 427w\" sizes=\"(max-width: 528px) 100vw, 528px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(b) Bolivia&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"540\" height=\"424\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-colombia-peering.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32668\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-colombia-peering.jpg 540w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-colombia-peering-300x236.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-colombia-peering-420x330.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(c) Col\u00f4mbia&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"564\" height=\"448\" src=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-peru-peering.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32671\" srcset=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-peru-peering.jpg 564w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-peru-peering-300x238.jpg 300w, https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/fig14-peru-peering-415x330.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(d) Peru<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Conversamos com LAC-IX, a associa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul de pontos de troca da Internet, para obter informa\u00e7\u00f5es sobre poss\u00edveis pa\u00edses emergentes. Eles explicaram que o M\u00e9xico \u00e9 um mercado muito grande que, durante muito tempo, foi fortemente regulamentado e dominado pelo monop\u00f3lio da Telmex. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o cen\u00e1rio tem mudado, com a implanta\u00e7\u00e3o de novas redes metropolitanas e nacionais de fibra \u00f3ptica, a constru\u00e7\u00e3o de centros de dados, particularmente em Quer\u00e9taro, e o surgimento de novos IXP.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/blog.lacnic.net\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Peering_market_at_a_glance.pdf\">Leia o artigo completo aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por John Souter, Assessor da Namex e Flavio Luciani CTO da Namex &nbsp; Tend\u00eancias, transforma\u00e7\u00f5es e din\u00e2micas regionais da interconex\u00e3o \u00e0 Internet Resumo Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, o cen\u00e1rio de interconex\u00e3o da Internet foi moldado pelo crescimento cont\u00ednuo do tr\u00e1fego, pela mudan\u00e7a nos modelos de distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e pelas rela\u00e7\u00f5es cada vez 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