Uma viagem de 10 anos pelas estatísticas do IPv6 na região

26/06/2024

Uma viagem de 10 anos pelas estatísticas do IPv6 na região

Por Alejandro Acosta – Coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do LACNIC

No mês do IPv6, e justamente quando o LACNIC comemora os 10 anos da coleta de estatísticas do IPv6, gostaríamos de mostrar um resumo dos marcos, conquistas, avanços e estatísticas deste protocolo na nossa região.

Contexto histórico

Há 10 anos −mais precisamente no mês de maio de 2014− no LACNIC fizemos um pequeno trabalho que dura até hoje e acredito que não vamos parar com isso tão cedo: construímos o coletor de estatísticas do IPv6.

Coletor de estatísticas?

O coletor não é mais do que um script em python3 que se conecta às estatísticas do Google [1], as processa, limpa e depois armazena no nosso banco de dados. Com esses números, no LACNIC fazemos diversas coisas, como:

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O que é medido?

Os números que verão nos gráficos a seguir representam a percentagem de penetração do IPv6 no usuário final, por exemplo, se observarmos que diz 30%, significa que de cada 100 pessoas, 30 já possuem IPv6

Vamos começar a caminhada

2014. Primeiro, vamos começar com os países que estavam adotando o IPv6 naquele ano. Quer dizer, países que tinham alguma penetração do IPv6 em 2014 (> 1%), como o Peru, que já tinha 4,6%, e o Equador, que encerrou aquele ano com pouco mais de 1%. Já nesta data dizíamos “devemos seguir o exemplo do Equador e do Peru”.

2015. A corrida para a adoção do IPv6 estava a todo vapor. Este ano, alguns países iniciaram a sua corrida, atingindo nos anos subsequentes, grandes resultados. Países como a Bolívia e o Brasil iniciaram suas implantações do IPv6 e encerraram o ano com 3% e 6% respectivamente, dando início a sua emocionante trajetória.

2016. Este ano, a Argentina, Guatemala e Trinidad e Tobago estiveram presentes e conseguiram encerrar o ano com 1,93%, 1% e 11% respectivamente. É importante mencionar que os países pioneiros não interromperam suas implantações do IPv6. Por exemplo, o Brasil acabou o ano com mais de 10% e o Equador com 18%, sendo o valor mais elevado para este ano. Levando em conta que o Brasil tem uma população de 215 milhões, 10% não foi nada ruim :-)

2017. A festa do IPv6 continuava crescendo: por exemplo, o México atingiu 4,5% e o Uruguai uns invejáveis ​​30%. Este ano encerra com 10% dos latino-americanos com acesso no IPv6. A festa ainda estava começando.

2018. O Caribe é protagonista, pontuando mais três países: a República Dominicana (1,2%), São Martinho (13%) e Belize (1%) deixaram a sua marca. O México teve um grande crescimento passando de 4% para 24%.

2019. O Caribe mostrava a sua determinação, a Guiana Francesa deu um salto surpreendente, atingindo 37% em tempo recorde. A Colômbia e Paraguai também brilhavam com 1,4% e 1,8% respectivamente. E o restante da região continuava em frente, com a Argentina atingindo 8%, a Bolívia 15%, o Brasil 28%, o México 31%, o Peru 18%, com uma média regional de 20%!

2020. A evolução não parava: o Chile e Suriname quebraram barreiras, atingindo 1,2% e 6,8% respectivamente. Nicarágua, Belize, Bolívia e Paraguai apresentaram um crescimento notável, com avanços emocionantes no IPv6.

2021. A América Central se tornava o epicentro da ação: El Salvador, Nicarágua e Honduras emergiram com 13%, 18% e 6% respectivamente. A Guiana continuava crescendo, ultrapassando 16%. E o Chile se destacou com um crescimento notável, de 1,1% até emocionantes 13%!

2022.  Parecia que a febre do IPv6 era contagiosa. A Costa Rica e Panamá se juntaram com 5% e 1,1%. Curaçao também aderiu ao movimento com 1%. O Suriname destacou-se pelo seu surpreendente avanço:  de conservadores 3% para impressionantes 21%. O Uruguai quebrava a barreira de 50%, assinalando um marco emocionante na região.

2023. A implementação a nível da ALC continua, com Bonaire, Santo Eustáquio e Saba marcando corajosos 1%, enquanto o Haiti e a Venezuela emergem com promissores 3% e 2%, respetivamente. Em dezembro deste ano, 34% da nossa região tinha IPv6, apresentando um progresso notável na adoção do novo protocolo.

Conclusões

A adoção do IPv6 na América Latina e o Caribe começou em 2014, com o Peru e o Equador como líderes. Nos anos seguintes, a região experimentou um crescimento constante, com países como o México, Brasil e Bolívia. Em 2022, o ímpeto continuou, com a Costa Rica, Panamá, Argentina e Chile alcançando números notáveis. Com 34% da região adoptando o IPv6 até o final de 2023, foi estabelecido um marco significativo no caminho para uma Internet mais avançada e acessível na região. O Uruguai não pode ser deixado de lado uma vez que é o único país que ultrapassa 50% de penetração do IPv6 no usuário final.

Por último, lembremos que cerca de 30% da população não está conectada à Internet, e a forma correta de chegar até eles é com o IPv6.

Referências:

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